quinta-feira, 26 de maio de 2016

O Presidente Super-homem


No presidencialismo o presidente é o Super-homem. Administra o governo, representa o país. Responde por ambas as responsabilidades. Basta tomar posse e pode mudar o curso da vida de todo mundo. Mesmo interino (temporário! substituto! ) pode mudar o logo do governo, fechar ministérios , reabrir quando der na telha , cortar gastos de onde for mais conveniente, mudar toda a politica social e as prioridades mais básicas. Tem poder para botar a casa em ordem. Mas também para mergulhar o país em um atoleiro ou na escuridão completa com a mesma facilidade.

E pra tirar um é fácil. Você só precisa de um mal-estar nacional gigantesco (quem sabe ajuda uma crise económica), uma falta grave especial , um Parlamento disposto a tirá-lo a qualquer preço (não precisa nem ser por conta dos motivos oficiais) , e mais um carnudo calendário de manifestações estressantes nas ruas.

Para coloca-lo lá , ao contrário , basta um período curto de campanha eleitoral, onde os candidatos ao cargo mais importante do país são conhecidos  rápida e superficialmente, além de degladiarem entre  si e provocar uma cisão ideológica que dividirá toda uma população pelos próximos 4 anos depois da Campanha. E de novo, de novo, de novo....

Basta ser demagogo. Não é necessária nenhuma garantia de competência ou de responsabilidade daquele que vai gerir um país por tanto tempo.

E mesmo eleito, para governar não é simples ,já que é dependente do Congresso. Se deputados e senadores não forem com a cara da pessoa, presidente nenhum governa. Daí temos o loteamento de cargos, necessidade dos favores, jeitinhos... Verter o programa de governo eleito aos apetites do Parlamento.

Claro que não é à pessoa do presidente em si, sozinho, que o poder é devido ,mas a todo o grupo ao redor dele que sua figura representa, e os eleitores a quem  responde. Por mais que se queira, no nosso país ,tão plural e diverso ,um presidente - na qualidade de chefe de Estado - nunca representará satisfatoriamente  o Brasil. Representará  apenas o grupo que o elegeu. Responderá apenas por sua própria administração , acertos e cagadas, apesar de ter o direito de falar do pais como se governo e identidade nacional fossem o mesmo.

Sinceramente,não sei por que escolhemos o presidencialismo no plebiscito de 1993...

Talvez por nosso péssimo hábito de seguir Messias atrás de Messias.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O Glorioso Retorno do Entrou-Por-Um-Ouvido-Saiu-Pelo-Outro

Nada parece ser bom o suficiente.
Ninguém parece ser bom o suficiente.
Certa coisa não está ao meu alcance,
Nem mesmo apalpando sua sombra de relance.

Não sei o que me falta.
Seria talvez a falta
DE GRITAR EM CAIXA ALTA?

Me disseram que isto se chama vazio
Já se é vazio eu não sei...

Me disseram que podia ser de Deus.
Pois é...
Frase comum,
perturbativa, incomodante,
que se nega a deixar o encalço
Dos ateus.

Me disseram também
(psicólogos inveterados, amadores)
que para calar minhas dores
Era necessário relaxar:
Cantar, cantar e cantar,
Como canta Pagodinho,
Em seu mundo feliz, cor-de-rosa,
"deixa a vida me levar"

Também me disseram
- E não se cansam de dizer -
Que eu sou muito indeciso
Que preciso criar juízo
Que ainda não nasceu o dente do ciso
E que isso era preocupante.

Me disseram que tinham vontade de me bater
Que era pra eu aprender
A deixar de com desmazelo escolher
Aquilo com o que eu me identifico mais
E que em 'situações normais'
Não escolheria
Jamais.

Ou até escolheria. Não sei.
Ou quem me disse pode estar certo, errei.

Mas de uma coisa eu sei.
Sei que sei
E lhe digo o que sei

Sei que só me disseram
O que me disseram

Porque fui eu que perguntei.