sábado, 28 de fevereiro de 2015

50 Tons de Cinza

Eu não assisti 50 Tons de Cinza.


Também não li 50 Tons de Cinza.


Nem pretendo assistir 50 Tons de Cinza. Ou ler.


Mas eu posso.






A Justiça Brasileira diminuiu a classificação indicativa do filme  (em relação à classificação americana) para 16 anos.  Por acaso é a minha idade, pra quem não sabe.
Ainda vejo pessoas comentando sobre ele, enchendo a mesa com o amazement e euforia da descrição das cenas e das falas, às quais eu reajo como posso, ou seja, simplesmente torcendo o nariz e calando a boca.

Para a minha surpresa, o filme ainda está em cartaz. Vou ouvir sobre ele ainda por muito mais tempo.
É preciso muito esforço e dedicação pra um andarilho de trilho cara de porco como o que vos fala, simplesmente calar a boca e torcer o nariz por tanto tempo assim. Eu num güento, cara. Num dá.


E eu vou lhes dizer o porque, caros senhores compatriotas.

Vou começar com uma pergunta. 

Calma,
É bem simples.
E retórica.
Não responda, pois seria idiota, e de qualquer maneira eu não tenho como saber o que você disse. Estou com um medo do caróleo de ser apedrejado ou algo do mesmo naipe. Mas vou fazer mesmo assim, porque eu ainda tenho culhões.


Lá vai.

Você sabe a diferença entre 50 Tons de Cinza e pornô?

Ai, Bruno, vai começar já, né? Que idiota perguntar isso. É uma coisa artística, tem uma história, não tem como comparar as duas coisas. Ninguém é tarado por assistir isso, assim como ninguém que vai dançar na Sapucaí tem tesão pelas Rainhas de Bateria. É a mesma coisa que nu artístico. Quanta infantilidade da sua parte, hein. Quantos anos você tem?

Os mais espirituosos responderiam isso. Outros simplesmente diriam:

"Gosto é que nem cu, cada um dá pro saradão ricasso sadomasoquista que quiser".



Mas eu lhe digo qual é a diferença. Aliás eu lhe digo mais:


Eu prefiro pornô.
E por razões bem simples:


1. É mais barato. Só a gasolina pra ir até lá já dá conta de esvaziar os bolsos.

2. É mais rápido. As cenas disponíveis nos sites adultos são curtas, e, adendo, mais do que suficientes pra suprir minhas necessidades fisiológicas. Se é que me entende.

3. Posso bater punheta sem ninguém olhando do lado, nem nenhum gordo na frente atrapalhando a visão, sem correr o risco de cometer atentado ao pudor, na privacidade sagrada do meu quarto.

4. Mas, principalmente, a razão fundamental de eu preferir pornô é de que eu sei que nunca, nunca mesmo, ele vai tentar insultar a minha inteligência dizendo que tem amor envolvido no que eu estou vendo.


No pornô, existe uma embromação inicial, e depois as cenas de sexo, e pronto.
Para se elaborar uma história, existe toda uma preocupação com a organização do enredo, construção de personagens, criação de situações, com começo meio e fim. O filme nem ao menos apresenta cenas de sexo totalmente explícito. Dito isso, quem quer que tenha criado essa história, quis passar a ideia de que existe algo além do sexo pura e simplesmente para ser apresentado ali.


E não tem.


Uma coisa é fazer este tipo de prática esporadicamente, pra suprir alguma fantasia, desejo ou curiosidade. Outra coisa é dizer que só gosta desse jeito, só faz desse jeito, só se consegue fazer desse jeito, não pode ser diferente.


Isto não é amor nem aqui, nem em lugar nenhum deste planeta.


Isso é doentio, é manipulação, subjugação, chantagem psicológica, chegando a ser nojento, repugnante, equiparando-se às altarquias mais célebres da vilania na ficção. Sr. Grey é um vilão que se disfarça muito bem.


Pode ser a historia mais bem feita, os personagens mais bem construídos, as cenas de sexo mais excitantes, mas o fato é que todo o fundamento do negócio está baseado em uma grande, perniciosa e voluptuosa mentira.


Uma mentira que não compro, nem nunca vou comprar. Na minha vida.


Há quem compre o livro mas não a mentira imbutida. Há quem assista o filme sem ser enganado pelo o que vê. Mas, se não for o seu caso, não caia nessa. Não vale a pena encarar um ato de prazer vazio e inconsequente como sendo amor, e desprezar as formas de amor genuíno que se pode conquistar na vida real.

Porque na minha vã inocência - ao supor que sei o que é amor - se eu realmente estiver enganado sobre o que ele que é, com certeza agora sei que é algo que se vale a pena conquistar um dia. E o amor que eu enxergo não tem nada a ver com isso.


Até mais, cabritos andarilhos dos trihos de trem ;}

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sincericídio Suicida

Nesta semana, Pat Martin, um político canadense conhecido por sua extravagância e irreverência, saiu de sua cadeira no meio de uma votação importante, e teve a validade de seu voto questionada por um colega de Parlamento. Mas ele tinha uma boa desculpa, honesta, direta e sem papas na língua. Em tradução livre minha, ele disse mais ou menos assim:






"Senhor Orador, percebo que eu deixei meu assento inadvertidamente no meio do debate. Posso culpar uma promoção que foi feita na Hudson's Bay... Eles tinham roupa íntima masculina pela metade do preço, e eu comprei algumas que eram claramente muito pequenas pra mim, e achei dificultoso me sentar pelo menor período de tempo que seja. Então eu peço desculpas se me foi necessário sair do meu lugar tão rapidamente, mas não foi de minha intenção me abster de meu direito de votar" (Fonte: http://bbc.in/1AXLNYa )

E se sentou, arrancando palmas, risadas e sorrisos de parlamentares.

Como alguns de vocês sabem, o melhor seriado deste planeta, Doctor Who, me tem como fã incondicional há alguns anos. No episódio de despedida do Doctor mais wibbly wobbly de todos, Matt Smith, ele e Clara Oswald visitam uma vila adorável de nome 'Christmas'. Christmas tinha uma peculiaridade interessante (claro, além de ser sempre Natal lá): ninguém poderia dizer uma mentira. A Torre no meio da vila emanava um "Campo da Verdade" que impelia a todos a dizer a verdade nua e crua o tempo todo.

O Doutor e a Clara encontram um casal que lhes esclarece tudo isso, e, quando perguntados pelo Doutor se isso "não deixava a vida um tanto quanto difícil", cada um deu uma resposta diferente:





Eu gosto muito de um filme de Ricky Gervais que se chama "O Primeiro Mentiroso" (no original: "The Invention of Lying"), que se passa em uma versão do nosso mundo em que a humanidade nunca desenvolveu a capacidade de mentir. Neste mundo não existia ficção, religião, corrupção, manipulação, propagandas criativas e nem mesmo boas maneiras. Até que surge a primeira mentira, e em um mundo condenado à sinceridade absoluta, o Primeiro Mentiroso começa a se dar bem pra caralho.




Quando eu era menor, eu rachava o bico de dar risada de um sitcom que passava no Fantástico, "O Super Sincero", com Luís Fernando Guimarães. Diferente do mundo de Mark em 'O Primeiro Mentiroso', ele era o único a dizer a verdade pelada e não-cozida absoluta, doesse a quem dóia.



Eu sou e sempre fui uma pessoa muito honesta, direta e objetiva. Ao extremo. Nunca me ocorreu fazer uso de subterfúgios, encher linguiça ou amaciar a carne antes do abate. Pra quê? Se todas as pessoas dissessem o que desse na telha, este mundo seria um lugar muito mais interessante. Veríamos de cara as pessoas como elas são, não como elas fingem ser.

Porque todo mundo finge ser alguma coisa. Não encontrei ninguém até hoje que mostrasse 100% do que é, que conseguisse tal feito, ou sequer quisesse fazê-lo. As pessoas não são transparentes, não são esferas que se pode girar e ver a totalidade. As pessoas são poliedros complexos, com dezenas de facetas, cada uma usada para fins, situações e circunstâncias específicas.

E apesar de isso poder significar falsidade, e realmente significar quase que invariavelmente, é a maneira como os seres humanos chegam de fábrica. É natural.

O que eu sempre tentei fazer era envergar os vértices, terraplanar as arestas, e arredondar as faces. Então eu seria alguém totalmente transparente, interpretável até pelo menos sagaz, e previsível para o mais atento. Seria a mesma pessoa, independente do lugar ou circunstância. O mesmo que me visse discutindo Filosofia me reconheceria discutindo sexo. Ou filme de pancadaria.

Que idiotice tremenda.

Em uma circunstância normal, eu me sentiria bem em ver minha própria idiotice se revelando diante dos meus olhos. Mas nessa em específico, eu realmente me superei no grau de imbecilidade, então não estou tão feliz assim.

Será que a verdade absoluta deixa a vida mais fácil? Ou difícil? O casal da adorável Vila do Natal não conseguiu conciliar  à resposta que cada um deu.

Pat Martin, o político canadense, teve a vantagem de ser conhecido pela irreverência, o que faz da súbita honestidade dele algo ovacionável, gerando gargalhadas. O personagem de Luís Fernando Guimarães em O Super Sincero vê a verdade como uma vantagem, ao ponto que consegue o que quer com mais eficiência, e evita o que não quer sem grilação. 

Já Mark, o personagem de Ricky Gervais em O Primeiro Mentiroso, vê uma vantagem extraordinária em sair por aí dizendo "coisas que não são". Ele fica rico, famoso, bem sucedido, consegue admiradores, diminui o sofrimento da mãe, distribui esperança, felicidade, lamúrias e sofrimento com a intensidade que quiser. E ainda faz a gente rir pra caralho.

Se por um lado a mentira não oferece nenhuma praticidade real, nenhuma objetividade, é um completo desserviço à descoberta, um instrumento de manipulação e um insulto à inteligência de muita gente, tentar ser absolutamente sincero em meio à pessoas que não se importam de terraplanar suas facetas tal como você, é uma perda de tempo, uma burrice, uma ingenuidade, um capricho, e uma desvantagem incalculável.

"Eu estou gorda?" - Sim, você está gorda. "Pareço um completo idiota..." - Você é um completo idiota. "Estou sexy?" - Muito. 

A resposta vem na lata, sem neura, sem embromação. Parece muito simples, mas demanda muito tempo e energia pra que a pessoa realmente compreenda que, vindo de mim, essas coisas não significam absolutamente nada. Pelo menos, não o "alguma coisa" que a pessoa acredita que significa.

"Sim, você está gorda". O que a pessoa ouve é: "Você é feia, pelancuda, ninguém quer te pegar, você vai morrer sozinha se não parar de comer hambúrguer e ir fazer uma esteira agora, sua flácida". Mas eu não disse isso. O que eu disse foi: Você está gorda. Porque dá pra ver isso, então eu disse. E daí? Qual é o problema de ser gorda? Se você está me perguntando isso, é porque se sente pressionada a seguir o padrão de beleza que os outros te enfiam goela abaixo. Por quê? Não está bem consigo mesma? Por que você precisa de elementos externos pra afirmar sua autoestima? Não existe padrão para o Amor e o Afeto, como teimam em dizer que existe para a Beleza, então com certeza você é linda para alguém. Não precisa ser para a sociedade. Quem me conhece sabe minha visão sobre o tema Lu ,mas como eu sou sincero em todas as circunstâncias, a gorda que não estiver em meu círculo social vai se sentir extremamente ofendida.

"Você é um completo idiota". O que a pessoa ouve é: "Você não merece meu respeito seu monte de bosta, vai comer alfafa no estábulo junto com a jumenta da tua mãe, e aproveita pra aprender com o asno do teu pai como se soma 2 + 2". Essa afirmação geralmente é capciosa, já que as pessoas são muitos sensíveis à ideia de serem idiotas. Morrem de medo de serem idiotas. Quem não me conhece, e mesmo quem me conhece há um certo tempo, não entende minha intenção em chamar uma pessoa de idiota. Quando eu te chamar de idiota, não se sinta mal. Porque em certo grau, eu acho todo mundo idiota, isso não é privilégio seu. E não são só os outros. Eu digo sempre que 'todos deveriam se abrir para a possibilidade de serem idiotas'. Portanto, quando alguém diz que eu sou um perfeito idiota, eu não penso 'nossa, como ele me ofendeu, vou ficar putinho com ele'. Eu penso "Será mesmo?". Se você quiser me deixar louco da Silva, lelé da cuca, e absurdamente neurótico, me chame de algo ofensivo, tendo bases pra dizer isso. Porque eu vou sinceramente considerar a possibilidade de você estar certo, com todas as minhas energias.

"Você está muito sexy". O que a pessoa provavelmente ouve é: "Quero comer esse seu c* ainda hoje, tchutchuca".

Não! Não, não e não! Porra, como é difícil brincar quando se é um Sr. Verdade. Eu falo abertamente sobre sexo, assim como eu falo abertamente sobre tudo. Mas eu também sei brincar, sei dar risada e o que eu mais sei é usar o dom da ironia que Deus me deu.

Toda brincadeira tem seu fundo de verdade, mas isso não quer dizer que eu seja ninfomaníaco, tenha complexo de édipo, seja sadomasoquista, gay, tarado, curta inversão de papeis, tenha limites com meu corpo ou falta e intimidade com ele. A Teoria não é o mesmo que a prática, e ser o Sr. Verdade não significa não ter a mínima noção do que é intimidade.

...

Quanto tempo, quanta energia e quantos caracteres foram gastos pra explicar somente estes três vértices de uma das minhas facetas? Se você conseguiu chegar até aqui, meus parabéns. 

Ser sincero em nível Absoluto é um erro. Não se ganha transparência, apenas coleciona-se equívocos. Não se melhora a imagem, apenas confunde e embaralha a visão já consolidada de você mesmo para os outros. Não é prática nem objetiva, ao passo de ser preciso um blog para esclarecer e justificar a si mesmo. Não é bom e não ajuda. Não acrescenta e não edifica.

Portanto, a Arte de se cometer um sincericídio, consiste em dar um tiro no próprio pé, ao invés de mudar qualquer paradigma que seja.

Todo Sincericídio é Suicídio por definição.

E eu cansei de cometer Sincericídios Suicidas.

~~ Até mais, cabritos andarilhos dos trilhos de trem :}




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sorria mais uma vez!


Sorria mais uma vez, só mais um dia, quem sabe por mais uma hora, ou talvez só mais um momento. Eu não consigo mais fingir, não sei por que fingir ou pra quem fingir. Eu... Eu não entendo porque é tão difícil para as pessoas compreender, nem imagino se tentam compreender que a momentos na vida que você não tem nenhum motivo para sorrir. Porém a certos momentos que queremos uma boca que diga “Porque você esta triste?”, mas também queremos ouvidos que nos escutem ao falar o porquê. Eu estou quebrado!
O Galo cantou ao alvorecer deste dia, isto indica que devo acordar... Deveria acordar, mas ainda estou acordado, então será que deveria ir dormir? Mas eu já dormi demais, eu deveria é ficar mais tempo acordado, esse é meu problema nunca faço as coisas como deveriam ser feitas. É que às vezes meus sonhos são mais atraentes que a vida real, neles eu tenho absoluta certeza que tudo ira acabar bem, ao passo que quando estou acordado isso é o que dizem as pessoas a toda hora, “Tudo ira ficar melhor” ela dizem, mas disso eu não tenho nenhuma certeza. Nos meus sonhos eu sempre concerto as coisas, o pior que elas estejam eu sempre resolvo tudo. Neles eu não tenho medo, temor ou terror. Eu não machuco ninguém, não abandono, nem as perco. Neles as pessoas que eu amo estão sempre ao meu lado, elas não envelhecem, não adoecem e nem morrem. Porém algo da vida real esta sempre nos meus sonhos, eu não sorrio mais, eu não sou mais feliz.
O galo cantou uma segunda vez neste dia, isso não me aborrece mais. Eu não me importo... Porque não tenho mais sono. Eu estava pensando “Com tantas coisas descartáveis na vida, como você sabe o que realmente vale a pena?”. Existem tantas coisas sem sentido e sem valor na vida que tornam difícil de saber o que realmente devemos prezar, por exemplo, ao chegar a sua casa, você se sente muito cansado, porem você prefere ligar a tv ou o computador em vez de dar um abraço nos seus pais.  Nunca lhe veio à mente que seus aparelhos eletrônicos podem ser substituídos, mas as pessoas que você ama, não.
Uma terceira vez cantou o galo e eu nem sei se o escutei. Deveria ficar mais atento, nem sei mais o que é real e o que é sonho. Nada parece ser real quando você dorme demais ou fica muito tempo acordado. Às vezes acho que estou perdendo a cabeça, nada parece ter sentido. As pessoas não me incomodam mais. Eu olho pra elas e sinto amor e compaixão, mesmo sem conhecê-las ainda sim eu as amo. Parece ser loucura, mas, eu me odeio muito. Odeio meus olhos, meu sorriso e a forma como persisto em andar. Odeio a maneira como eu mastigo ou como engulo. Odeio como faço bico quando estou zangado. Odeio dar risada das piadas sem pensar. Odeio meu humor racista, o que não faz sentido porque odeio o racismo. Odeio como conheço pessoas incríveis e não dou o valor que elas merecem logo de imediato. Odeio tentar concertar as besteiras que já fiz em vez de tentar fazer algo legal hoje. Odeio não pensar no que digo e às vezes pensar demais. Odeio ser grosseiro com pessoas que só querem ajudar. Odeio fazer piadas quando estou nervoso. Odeio não ser tudo que um dia sonhei. Odeio ser quem sou e ainda sim odeio odiar.
Se você fosse morrer agora, como se sentiria a respeito da sua vida? Sentir-se-ia mal? Bem? Ou nunca pensou nisso? Bom eu penso nisso toda hora, e a resposta nunca me agrada. Tudo parece tão estranho, nada parece estar direito, nada parece estar certo. Fico aqui imaginando se as coisas seriam diferentes se eu tivesse tomado uma serie de decisões diferentes. E se eu tivesse tomado decisões diferentes eu seria a mesma pessoa que escreve esse texto hoje? E, além disso, eu daria a importância devida às coisas que não tenho se as tivesse? Eu seria mais feliz com elas? Desejaria outra vida? Desejaria viver?
Jamais pensei que diria essas palavras, mas acredito que não me arrependerei de pronuncia-las. Eu não quero mais dormir até tarde, não quero ficar noites sem dormir, não quero mais sonhar acordado, não quero viver a realidade enquanto durmo. Não quero mais me perder ao pensar no futuro em vez de fazer o meu hoje feliz. Não quero mais perder aula. Não quero mais pensar que sei de tudo. Não quero mais ficar sozinho e em meio à multidão andar. Não quero mais chorar ao decepcionar mais alguém. Não quero mais decepcionar mais ninguém. Não quero mais me imaginar sem as pessoas que eu amo.
Parece estranho, mas eu fiquei feliz em ver que pensei nas pessoas que eu amo durante esse texto. Quando se está deprimido é normal pararmos de pensar-nos outros e pensarmos muito em nós mesmo. Mas minha memoria não falhou, eu pensei neles quando estava escrevendo, isso é muito bom. Pensei no meu pai, que embora me deixe louco por sempre discordar de mim ainda sim é o homem com quem sempre posso discutir e ver que ainda não pirei de vez. Pensei na minha mãe e lembrei-me da mulher que me ensinou tudo e que me amou bem antes que eu soubesse o que era o amor. Lembrei-me da minha irmã que se tornou dentre todos a minha melhor amiga. Pensei em pessoas que nem sei se sabe o quanto eu as amo, e o quanto elas são importantes para mim. Pensei nas pessoas que magoei e me perguntei se algum dia eu poderei fazê-las sorrir. Pensei na mão que encontrei perdido no esquecimento escuro, silencioso e incompleto, eu pensei nessa mão. Fiquei feliz ao pensar nessa mão. Espero um dia retribui a essa “mão” toda essa felicidade.
Estou tentando melhorar... Tentando me concertar. Talvez remédios funcionem melhor e mais rápido, mas acho que preciso preparar minha mente para isso. Tem quem diga que para um metal se tornar completo ele precisa aceitar a forjadura, quanto mais intenso o fogo melhor ele se tornara. Devo aceitar o fator da mudança? Será que preciso passar por isso para me tornar melhor? E o que vira a seguir? Será que encontrarei paz, alegria e contentamento? Talvez, e o que eu posso fazer a respeito? Só acreditar. Devo acreditar que não posso deixar que falta de neurotransmissores me digam como eu devo me sentir a respeito da minha vida. Existem pessoas maravilhosas em mim vida que merecem o meu melhor. Encontrei-me em um momento muito estranho na minha vida, me apoio em corações preciosos para colocar tudo em seu devido lugar. Eu estou quebrado! Mas eu posso concertar.