sábado, 30 de novembro de 2013

BAIS OU BENOS.

Se eu fosse o Poderoso Castiga, eu já estaria cortando gente ao meio com uma réplica fiel da serra elétrica do Freddy vs. Jason, para aliviar o estresse. Mas como eu não sou o Poderoso Castiga, eu mijo nas calças vendo filmes de terror, então provavelmente não havia nenhuma serra elétrica no filme Freddy vs. Jason.

Eu ganhei uma viagem do governo do Estado de São Paulo para a Inglaterra. Faz um mês que me perguntam assiduamente, com a maior expectativa: "E como vai a expectativa?" e eu respondo "Estou com o coração saindo pela boca e subindo pelas paredes xD". O Engraçado é que só por causa do "xD" as pessoas não acreditam que meu coração está realmente pregado na parede do meu quarto! Mas isso não vem ao caso.

O que vem ao caso é que eu tô nervoso PRAA CARAAA#%&*!@", como diria o Poderoso. O bendito do voo sai amanhã! Eu nunca andei de avião na vida. Também pudera, o avião voa, não anda.

E como escrever é a minha maneira de aliviar o estresse, e cortar gente ao meio é só um hobbie secundário, achei melhor descarregar toda essa expectativa. O que acontece é que mesmo eu me prontificando a não ficar estressado, meu psicológico não vai com a minha cara.

No dia da prova, que aconteceu numa cidade vizinha, eu passei todo o trajeto de casa até a escola onde o exame seria aplicado, PASMEM, perfeitamente bem. Quando cheguei lá, com 20 minutos de antecedência, meu pescoço começou a travar. Travar feio, travar legal, travar que nem mula empacada no meio da estrada de terra.
Eu fiz a prova toda disputando com o pescoço o lugar que eu devia olhar: pra mesa ou pro chão; apoiado no meu braço dormente. Acertei 17 questões das 20, e como sou muito humilde, culpei o pescoço por ter passado uma questão errado no gabarito, e culpei Satanás por me fazer errar outras duas questões.

E foi só isso? Não! Antes disso, eu quase não passei na peneira por causa de uma nota de Artes. Eu tirei 2 em Artes, no 2º Bimestre deste ano. Eu sei, vergonha. Tá, não precisa tripudiar. EU SEI! Tá bom. Oxe. u.u
Por dias seguidos, eu me tornei uma pessoa extremamente religiosa: andei rezando para tótens e Jesus, pra Deus, Buda, Krishna, São Jorge, pro meu cachorro, e até alguns mantras eu ensaiei. Quando minha linda professora de Artes, e a coordenadora do curso resolveram o problema, eu quase infartei, e quase esmaguei os respectivos tórax das duas. Foi uma situação um pouco fora do comum, devo dizer.
Principalmente porque depois desse episódio eu comecei a me esforçar em Artes! Isso mesmo, eu, me esforçando em Artes! O que o universo não faz pra zuar com a tua cara, né não?

Não bastasse isso, agendaram o agendamento (é isso aí que você leu) do meu passaporte, na cidade de Piracicaba. Pra quem não sabe, Piracicaba fica na esquina do olho do inferno, virando a esquerda, dando de cara com Judas. Comparada à minha cidade, claro, que fica na banda ocidental do Estado de São Paulo.

 
Ah, Piracicaba, que cidade mais feia, caótica e insalubre você é.... Saudades


O problema nem foi ter ido pra Piracicaba, o negócio começou a ficar dramático quando saímos da Polícia Federal, depois de ouvir a moça dizer que "é só vir no dia que está marcado aí, que o passaporte vai estar pronto", mas minha viagem acontece no dia 1º de Dezembro, e o passaporte sairia no dia 2! E só vimos isso depois de sair pela porta do prédio. Não tinha o que fazer. Que tipo de pessoa tem naipe suficiente para discutir com a Polícia? "Federal", ainda por cima, é um nome que te intimida e estremece até a medula dos ossos. Pelo menos pra mim, que sou um "calça cagada", como diria minha avó. Pra minha professora de inglês, que é minha Mulher Maravilha Ao Vivo e Sem Legendas, é mamão com açúcar. Ela simplesmente ligou pra Polícia Federal, de Piracicaba, depois de Araraquara, depois pra uma moça simpática. Falando com a moça simpática, ela me garantiu que meu passaporte estaria disponível antes do prazo, porque o prazo é conveniente ao pessoal da Polícia Federal, não ao pessoal que vai tirar o passaporte, o que significa duas coisas: 1. o pessoal da polícia federal é cruel 2. meu passaporte estaria pronto já no dia 26 de novembro 3. até me falarem isso, eu fiquei desesperado, com pressão alta, no mundo da lua e suando pelas orelhas.

Fiz outra viagem pra Piracicaba. Na volta, houve um acidente. Não comigo, como você estaria torcendo para que fosse, mas na estrada, que gerou congestionamento, e fomos parar na rodoviária de Araraquara num horário que não passava ônibus nenhum pra minha cidade, Matão. Tivemos que dormir na rodoviária. Banco maldito, madeira barata, dono da lanchonete com um péssimo gosto pra televisão. Livros do Ziraldo pra ler. A melhor parte foram os livros do Ziraldo. Mas o passaporte taí, ó. Olha só que curvas:

 
Eu tirando foto do passaporte = fotógrafo tirando foto da coelhinha da Playboy.


Depois de todo esse estresse, toda essa tensão, toda essa transpiração através de lugares impróprios, dor de cabeça, enjoo, náuseas, torcicolo, pressão alta, coração batendo igual Sheldon em porta de Penny... Ainda tem o bendito do voo!

Não é daora você pensar que você vai sair do chão, voar pelas nuvens, se sentir uma águia de rapina que não foi castrada? Não! Não é legal! xD
Na verdade, eu vou ficar enlatado feito sardinha em uma lata de sardinha voadora mais pesada que toneladas de sardinha, voando mais rápido que sardinhas, a uma distância do solo muito maior do que a maior pilha de sardinhas que existe. E você não pode dizer que sardinha é melhor que atum, então todos os seus argumentos para aliviar minha aversão à aviões são perfeitamente inválidos.

Mas montado no lombo de um jumento, com pouco conhecimento, encarando chuva e vento, e depois carregando o coitado do jumento nas costas enquando atravesso o Oceano Atlântico à nado, eu não posso ir, né. Então não tem jeito.


Eu vou ficando por aqui. Você, passe bem.
Eu, passo mal.