quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Fim da Minha Abstinência Religiosa.

Há mais ou menos um ano e meio, eu iniciei meus questionamentos à respeito de religião de uma forma séria, e me abstive não somente de frequentar à igreja evangélica da qual era adepto, mas de todo dogma religioso, e comecei a me procurar interiormente, visitando outras denominações e pesquisando sobre outras formas de pensar, que não cristãs. Em Abril de 2012 publiquei um texto intitulado "A Sociedade Depois de Cristo", onde mostrei para qualquer um que quisesse ler, a minha opinião naquele momento e a maneira como eu estava me sentindo.

Depois da publicação desse texto, as tentativas de re-evangelização se intensificaram por parte dos evangélicos da mesma igreja que eu deixei, e também de outras. Intensificaram-se os olhares de menosprezo daqueles que me julgavam interiormente. Mostraram-se mais rechaçados aqueles que tinham uma religião mas não queriam conversar sobre ela especificamente comigo, por que me achavam a pior pessoa pra se conversar sobre o assunto.

E eu não culpo nenhum deles, porque nesse intervalo de tempo, eu fui mesmo a pior pessoa pra se falar sobre religião, fui sim muitas vezes desrespeitoso e indelicado, para não falar ignorante. Se eu estava buscando com o que me firmar, não poderia criticar tudo o que vinha até mim.

Do meio mais turbulento e complexo do Cristianismo, me lancei de cabeça diretamente para as profundezas Ateísticas, terreno onde eu sempre pensei que não havia espaço para outras considerações, a não ser para a razão. Dali eu nadei desesperadamente para algo que não fosse tão extremista e encontrei 'as filosofias de cima do muro' chamadas Deísmo e Agnosticismo, que também não me satisfizeram.

Desse ponto em diante, abri minha mente para toda e qualquer crença no invisível, que não fosse completamente absurda, nem totalmente manipuladora. Passei discretamente pelo catolicismo, que só não considerei pelo o que eu conheço de história e pelo o que me foi dado nos tempos de protestante. Pesquisei o Mormonismo, li o Velho Testamento e aprendi a crença judaica, reli o Novo Testamento cujo considerava torpe. Entre isso e aquilo me peguei lendo o Alcorão, e descobri nele uma vertente do bem que se apega também à filosofia política da Direita.

Minha mente mudou. Minha maneira de ver o mundo agora me apazígua  ao invés de me provocar frustração. Aprendi a lei do respeito e da paciência, palavras bonitas que a gente aprende guri, mas que só têm significado quando temos a mente aberta.

De repente vi claramente porque existem tantas religiões e um número muito maior de denominações religiosas, e um número tão pequeno de pessoas boas de verdade. De repente vi que a sua crença não muda a sua essência, nem te obriga a seguir regras de conduta, mas te completa interiormente, se você souber onde está se embrenhando.

Eu voltei consciente ao Cristianismo, mas dessa vez livre de pensamentos sectários, sufocantes e obtusos. Eu voltei com a certeza de não estar sendo enganado, não porque confio cegamente na visão do outro, mas porque confio na minha própria inteligência.

Se foi "Deus que me fez voltar para esta graça", ou que saí "da porta do inferno para adentrar nas águas plácidas da salvação", então que assim seja, mas não vou fundamentar meu caminho numa promessa de vida após a morte à guisa de castigo ou bênção, porque isso, sendo verdade ou não, é desculpa para se cometer hipocrisias!

Jesus Cristo ensinou a amar, perdoar e seguir em frente, e não me interessa se ele era divino ou não, filho de Deus ou não, me interessa que isso é a mais pura verdade para mim. Se Deus, Iavé ou Allah realmente existe, ele mesmo saberá o tempo de me dizer QUANDO e SE eu devo me transformar numa nova criatura, e isso não depende de nenhum ser humano como eu. No meu pensar e no meu interior, eu já me transformei no que deveria me transformar, e isso significa que eu aceitarei prontamente se for chamado para conhecer o divino, sendo por meio do cristianismo ou não.

Este texto também significa que eu sei que não poderei participar de todas as atividades realizadas dentro da igreja, e que não serei considerado como membro dela, e que eu estou em paz com isso. Também significa que eu seguirei as regras de conduta conforme eu for entendendo-as e me sentindo capaz de cumpri-las, e que eu estou em paz com isso. Minha fé solitária para mim basta. 

Era isso o que eu queria dizer, a você, a eles e a todos. Obrigado por ter lido até aqui.