domingo, 29 de dezembro de 2013

Londres e A Loteria da Babilônia

A coisa mais esperada por mim a respeito de minha viagem à Londres, não era o aperfeiçoamento do inglês, nem a experiência pessoal a ser adquirida. Curiosamente isso era o que mais me perguntavam a respeito desta viagem. Bem... me desculpem pela decepção.

O que eu mais queria ver em Londres eram as igrejas, as burcas, os "Hare Krishna", e o musical dos mórmons. Não, esse último não, falei só de zoeira mesmo.


Eu sempre soube que em Londres, ter noção do que é "diversidade" é coisa fundamental, se você quer interagir com outras pessoas enquanto estando lá.  Naquela cidade existe gente de tudo quanto é lugar, que falam as línguas mais inidentificáveis, e tem os costumes mais bizarros que se pode encontrar em qualquer outro lugar do mundo. E em decorrência disso, as mais diversas religiões que você pode enumerar nos dedos durante um minuto inteiro.

Podem dizer à vontade que o Brasil é um país diverso e etcétera e tal, mas olha a diversidade religiosa que a gente encontra por aqui:
"-De qual igreja você é?
-Nenhuma.
-Nossa, você é ateu?"


Agora comparemos com um diálogo que tive com minha hostess judia e duas room mates chinesas, na minha primeira semana de estadia, logo depois que a primeira enfeitou sua árvore de Natal:
"-Você pertence a alguma religião, Bruno? - minha hostess pergunta

-Não. - respondi.
-Você é budista, então?

-Não, eu sou deísta...
-Ateísta?
-Não, deísta.... É meio complicado de explicar.....
-Mas como isso funciona? Você acredita em Deus?

-Sim, eu acredito em Deus, mas não sigo nenhuma religião xD
-Hum, muito interessante. - disse, e depois virou-se às duas chinesas - E vocês, seguem alguma religião?
-Não, somos ateístas - responderam as chinesas
-Isso é muito comum na China?
-Existem religiões na China, mas somos ateístas desde pequenas - disse Barry, uma das chinesas
-Legal. O Bruno é um.. como é?
-Deísta :3
-Isso, deísta, acredita em Deus, mas não segue nenhuma religião. E vocês são ateístas, não seguem nenhuma religião.... Eu desde sempre fui judia.
-Judia? Que legal, nunca conversei pessoalmente com alguém judeu antes! xD - eu disse.
-Eu acredito em todas as religiões ;)"

Minha hostess não só foi a primeira judia com quem conversei, mas também é a primeira judia com quem conversei que comemora o Natal, e também a primeira judia que comemora o Natal e acredita em fadas. Sim, ela acredita em fadas. Ela me mostrou algumas fotos com formas de luz um pouco distorcidas, e... não vou mentir, algumas delas me deixaram um pouco chocado. Ela jura de pés juntos ter visto fadas, e não é a única pessoa que eu encontrei por lá que acredita.

Em Londres, você anda pela rua e parece que o mundo todo está enfiado em cada canto da cidade. Você fica esperando a qualquer momento um chinês pular na sua frente e dizer "pastel de queso ou flango?". Não gente, que isso, piada racista não pode, isso aqui é um blog de família. Tá: você fica esperando a todo momento um indiano pular na sua frente e dizer "estou redirecionando sua ligação, por favor aguarde enquanto tocamos especialmente para você aquela musiquinha de elevador dos infernos". Tá, agora eu parei xD

Você vê judeus ortodoxos andando em frente o Palácio de Buckingham, trajados de preto e com os cabelos penteados em espiral para baixo. Você vê muçulmanas andando pela rua, todas cobertas pela burca, só o rosto aparecendo. Você vê indianos, algumas vezes até com turbantes, atendendo em lojas de souvenirs. Inclusive você não precisa perguntar mais de uma vez a qualquer desses indianos de lojas de souvenirs sobre sua religião, que ele vai discorrer sobre o hinduísmo como se fosse um palestrante.
Uma moça hindu, uma vez, me parou no meio da rua pedindo doações para uma casa de apoio a pessoas sem-teto, pertencente a uma organização hindu. Eu dei algumas moedas, e em troca ela me deu um livro, biografia de um líder religioso do Movimento Hare Krishna chamado Prabhupada. Aceitei de bom grado, e ela retribuiu colocado as mãos juntas e dizendo "Hare Krishna", no que eu respondi "Hare Krishna", e fui embora. Até hoje não faço ideia do que seja Hare Krishna, e se eu realmente deveria ter respondido com a mesma expressão, mas só sei que foi o máximo isso ter acontecido.

Porém o que mais me surpreende é que o número de pessoas ateístas e agnósticas no Reino Unido é gigantesco, em relação à sua população. Fiquei de boca aberta quando uma das minhas professoras de inglês de lá (que, olha só, também acredita em fadas, mas é budista), me deu essa informação. O número não só é grande, como está crescendo. Isso faz a gente pensar bastante, porque a religião parece ser uma coisa tão comum, que não dá pra imaginar tantas pessoas não pertencendo a nenhuma. O que verdadeiramente acontece é que o britânico nascido e criado na Grã-Bretanha, principalmente o jovem, está perdendo suas religiões, e as religiões que ainda concentram adeptos o fazem por conta dos imigrantes, como acontece com o Islã.

E eu tenho uma teoria para explicar isso. Antes de tudo, não quero insinuar que pessoas religiosas sofrem de falta de informação, até porque odeio este estereótipo de que religiosos são ignorantes e pessoas sem crença são as mais inteligentes. O fato é que o brasileiro sofre de falta de informação. Se você dá uma passeada usando as linhas de trem de Londres, você vê 90% dos passageiros lendo, em grande parte até mesmo DE PÉ, não só livros de ficção, mas todo tipo de coisa. Londres é a cidade com o maior número de museus do mundo. O sistema educacional britânico funciona. A cada esquina existe uma cabine telefônica pública com acesso a Wi-Fi, e quase todo estabelecimento possui rede wireless também, além de que 83% das casas britânicas terem acesso à internet. Mais do que isso, quem se preocupa em pesquisar conhecimento na internet quando o mundo está ali no meio da rua? O contato com várias religiões deve ser o motivo pelo qual existe uma maioria de pessoas ateístas. 

Por quê? Lá existe uma regra de conduta implícita em cada cumprimento que você faz a uma pessoa: respeite meu espaço. Os britânicos, pelo menos os londrinos, de quem posso falar bem, são pessoas simpaticíssimas, mas que não gostam de muita aproximação, e as clássicas boas maneiras britânicas, das quais todos nós temos conhecimento no estereótipo, deixam um espaço para você saber tudo daquela pessoa, criticá-la e receber críticas, trocar ideias, e mesmo assim manter uma conversa saudável. O que transforma os relacionamentos entre as pessoas uma coisa bem mais individual do que coletiva, como acontece aqui no Brasil. Estamos acostumados a nos apegar às pessoas que têm coisas em comum conosco, e nos distanciar daquelas que tem menos em comum, apesar de sempre dizermos que "o brasileiro aceita o diferente". Mas se os londrinos tivessem este tipo de comportamento 'xenófobo', a vida social seria insustentável. Se você segue uma determinada religião no Reino Unido, você pode ser a única pessoa pertencente a tal religião no seu círculo social mais íntimo. Já pensou, você ser o único católico entre todas as pessoas que você conhece? Ou o único pentecostal? Freakin', isn't it?

Eu fiz isso online, pesquisei sobre as mais diversas religiões, mas sempre as tive como algo distante, como se fossem livros de ficção ou algo assim. O mesmo acontece com ativistas neo-ateus aqui no Brasil, quando se tornam peritos em refutar a Bíblia cristã, mas quando questionados sobre outras religiões, é quase como se não se importassem: "mas quem acredita nisso aê? de que vai me servir eu refutar aquela religião, se ninguém segue ela?". Mas o que eu passei foi muito mais forte. Era quase como se Londres viesse na minha frente e me pegasse pelo ombros e me sacudisse, gritando "EEEEEEEEEEEEEEEI, SEU MERDA, ACORDA PRA VIDA! EXISTEM OUTROS MEIOS DE PENSAR, SABIA? VOCÊ NÃO É O DONO DA VERDADE, NEM O CENTRO DO UNIVERSO!".

Eu experimentei conversar com um hindu, no fundo, no fundo, com a ilusão de que "Caramba, mas os cristãos tem muito mais motivos para acreditar no que acreditam do que os hindus. A religião deles é cheia de mitos, batalhas épicas, criaturas exóticas, roupas chamativas e enfeites desnecessários...", mas me surpreendi com tamanha fé e devoção expressa por ele quando ele começou a falar sobre sua religião, como se fosse um pastor da Assembleia de Deus. Também havia me surpreendido com o tamanho do sorriso daquela moça hindu que me deu o livro Prabhupada, da mesma forma que qualquer Sister ou Élder mórmon faz. E vivo me surpreendendo a cada vez que acho semelhanças doutrinárias, ideológicas, e até bíblicas entre a(s) religião(ões) cristã(s) e outras religiões. O hinduísmo é o que mais está despertando minha atenção ultimamente. O que me ajuda a confrontar a maior falácia de todas que é "a minha religião é a correta".

Os argumentos cristãos, por exemplo, muitas vezes se baseiam no índice de popularidade do Cristianismo:
"Me aponte uma religião com maior número de adeptos felizes e satisfeitos, de bem com a vida, e com real contato com o divino", eles dizem. Bem... Primeiro, isso de felizes, satisfeitos e de bem com a vida, já é uma falácia por si só, segundo o IBGE. Existem pessoas infelizes, insatisfeitas e de mal com a vida em todo lugar, seguindo qualquer religião. Segundo: O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo, e a população da Índia continua crescendo, e se você realmente acha que não se pode achar a felicidade e o contato com o divino em uma religião que não seja a sua, você é preconceituoso(a), me desculpe dizer.

Os argumentos cristãos se baseiam muitas vezes até na ciência:
"Há provas de que as Escrituras Sagradas não foram adulteradas"
"Há provas de que Jesus ressuscitou"
"Há provas da formação da Igreja Católica"
"Há provas da existência dos discípulos"
"Há provas do acontecimento do dilúvio bíblico"

Bem, há provas de vários pontos cruciais existentes nas mais diversas religiões. Há provas de que o Buda Histórico existiu, se sabe a data exata, e também há provas científicas sobre a veracidade do Cânon Páli, livros fundamentais do budismo Theravada. Há provas da narrativa islâmica a respeito do Profeta Maomé. Há provas, também, de que Krishna existiu, que a batalha mais extraordinária encontrada nos livros sagrados hindus aconteceu, e há inúmeros relatos de Sua passagem pela Terra. O vídeo abaixo¹ não só mostra isso, como apresenta a religião hindu, a fé de convertidos, e a comprovação de um montante de textos sagrados hindus milenares, mais antigos até do que o próprio Cristianismo.  





Mas o tipo mais comum de argumento cristão, é o sentimental, dependente de devoção, e fica ainda melhor se o devoto em questão for um convertido.
"Foi quando eu estava na Terra Sagrada para realizar três programas de televisão para a BBC sobre o Novo Testamento que uma… certeza apoderou-se de mim sobre o nascimento, ministérios e crucificação de Jesus. … Eu percebi que de fato existiu um homem, Jesus, que também era Deus" - Malcolm Muggeridge

O seguinte testemunho é também de uma convertida ao hinduísmo, um dos inúmeros que se pode ter, se você conhece um hindu, e encontrado no vídeo acima.
"Recentemente, descobri como nossa relação com Krishna é poderosa, pois apesar do que passamos, de quantas vezes O esquecemos, de quantas vezes nos desviamos do caminho, Ele sempre está lá de braços abertos, pronto para nos receber de volta. E por isso que sinto que minha relação com Krishna é a de uma amizade intensa, de forma nenhuma material. Às vezes um amigo pode trocar-nos por outro, ou nos esquecer, ou esquecer de nos ligar, etc. mas eu sinto que Krishna sempre estará lá, não importa o que aconteça, ele sempre estará lá, pedindo para que voltemos, de braços abertos, pronto para nos aceitar, e tudo o que temos de fazer é aceitá-lo. É uma coisa tão simples de se fazer, basta dizer 'Krishna, estou aqui'" - Kamala Kumari

Eu vejo religião de uma maneira diferente há bastante tempo, e Londres com certeza serviu para acentuar essa visão. Por alguma razão, as pessoas aqui no Brasil se criticam mutuamente em um ciclo vicioso, para provar qual crença é a verdadeira, qual visão é a certa, e o pior de tudo é que nem vão muito longe para provar o que dizem: ambos os lados do debate utilizam o mesmo livro sagrado, tratando do mesmo assunto, com as mesmas pessoas, fatos, frases e pingos nos is. Vou suficientemente longe para dizer, e expressar minha humilde opinião de que, de fato, todas essas pessoas que possuem essas características.... tem o cérebro do tamanho de um ovo de codorna. E das granjas mais vagabundas. Desculpe o linguajar.


O mundo é estupidamente grande. O universo então, putz...

A questão é que nada disso cabe na cabeça de ninguém. Nem mesmo se extraírem a totalidade da realidade de um pedaço de pão-de-Ló, e plugarem num Vórtice de Perspectiva Total. Quando eu digo que "ninguém é dono da verdade", quase ninguém desses ninguéns nota que eu também não sou. Por isso eu não tenho certeza de nada, e por isso me incomoda você dizer que tem certeza de tudo. Eu escolhi ser ignorante, e você, o sábio. Conviva com isso.

Aperte Play para ouvir a música "Loteria da Babilônia", do mestre Raulzito, minha inspiração em dias nublados. E ensolarados também.


sábado, 30 de novembro de 2013

BAIS OU BENOS.

Se eu fosse o Poderoso Castiga, eu já estaria cortando gente ao meio com uma réplica fiel da serra elétrica do Freddy vs. Jason, para aliviar o estresse. Mas como eu não sou o Poderoso Castiga, eu mijo nas calças vendo filmes de terror, então provavelmente não havia nenhuma serra elétrica no filme Freddy vs. Jason.

Eu ganhei uma viagem do governo do Estado de São Paulo para a Inglaterra. Faz um mês que me perguntam assiduamente, com a maior expectativa: "E como vai a expectativa?" e eu respondo "Estou com o coração saindo pela boca e subindo pelas paredes xD". O Engraçado é que só por causa do "xD" as pessoas não acreditam que meu coração está realmente pregado na parede do meu quarto! Mas isso não vem ao caso.

O que vem ao caso é que eu tô nervoso PRAA CARAAA#%&*!@", como diria o Poderoso. O bendito do voo sai amanhã! Eu nunca andei de avião na vida. Também pudera, o avião voa, não anda.

E como escrever é a minha maneira de aliviar o estresse, e cortar gente ao meio é só um hobbie secundário, achei melhor descarregar toda essa expectativa. O que acontece é que mesmo eu me prontificando a não ficar estressado, meu psicológico não vai com a minha cara.

No dia da prova, que aconteceu numa cidade vizinha, eu passei todo o trajeto de casa até a escola onde o exame seria aplicado, PASMEM, perfeitamente bem. Quando cheguei lá, com 20 minutos de antecedência, meu pescoço começou a travar. Travar feio, travar legal, travar que nem mula empacada no meio da estrada de terra.
Eu fiz a prova toda disputando com o pescoço o lugar que eu devia olhar: pra mesa ou pro chão; apoiado no meu braço dormente. Acertei 17 questões das 20, e como sou muito humilde, culpei o pescoço por ter passado uma questão errado no gabarito, e culpei Satanás por me fazer errar outras duas questões.

E foi só isso? Não! Antes disso, eu quase não passei na peneira por causa de uma nota de Artes. Eu tirei 2 em Artes, no 2º Bimestre deste ano. Eu sei, vergonha. Tá, não precisa tripudiar. EU SEI! Tá bom. Oxe. u.u
Por dias seguidos, eu me tornei uma pessoa extremamente religiosa: andei rezando para tótens e Jesus, pra Deus, Buda, Krishna, São Jorge, pro meu cachorro, e até alguns mantras eu ensaiei. Quando minha linda professora de Artes, e a coordenadora do curso resolveram o problema, eu quase infartei, e quase esmaguei os respectivos tórax das duas. Foi uma situação um pouco fora do comum, devo dizer.
Principalmente porque depois desse episódio eu comecei a me esforçar em Artes! Isso mesmo, eu, me esforçando em Artes! O que o universo não faz pra zuar com a tua cara, né não?

Não bastasse isso, agendaram o agendamento (é isso aí que você leu) do meu passaporte, na cidade de Piracicaba. Pra quem não sabe, Piracicaba fica na esquina do olho do inferno, virando a esquerda, dando de cara com Judas. Comparada à minha cidade, claro, que fica na banda ocidental do Estado de São Paulo.

 
Ah, Piracicaba, que cidade mais feia, caótica e insalubre você é.... Saudades


O problema nem foi ter ido pra Piracicaba, o negócio começou a ficar dramático quando saímos da Polícia Federal, depois de ouvir a moça dizer que "é só vir no dia que está marcado aí, que o passaporte vai estar pronto", mas minha viagem acontece no dia 1º de Dezembro, e o passaporte sairia no dia 2! E só vimos isso depois de sair pela porta do prédio. Não tinha o que fazer. Que tipo de pessoa tem naipe suficiente para discutir com a Polícia? "Federal", ainda por cima, é um nome que te intimida e estremece até a medula dos ossos. Pelo menos pra mim, que sou um "calça cagada", como diria minha avó. Pra minha professora de inglês, que é minha Mulher Maravilha Ao Vivo e Sem Legendas, é mamão com açúcar. Ela simplesmente ligou pra Polícia Federal, de Piracicaba, depois de Araraquara, depois pra uma moça simpática. Falando com a moça simpática, ela me garantiu que meu passaporte estaria disponível antes do prazo, porque o prazo é conveniente ao pessoal da Polícia Federal, não ao pessoal que vai tirar o passaporte, o que significa duas coisas: 1. o pessoal da polícia federal é cruel 2. meu passaporte estaria pronto já no dia 26 de novembro 3. até me falarem isso, eu fiquei desesperado, com pressão alta, no mundo da lua e suando pelas orelhas.

Fiz outra viagem pra Piracicaba. Na volta, houve um acidente. Não comigo, como você estaria torcendo para que fosse, mas na estrada, que gerou congestionamento, e fomos parar na rodoviária de Araraquara num horário que não passava ônibus nenhum pra minha cidade, Matão. Tivemos que dormir na rodoviária. Banco maldito, madeira barata, dono da lanchonete com um péssimo gosto pra televisão. Livros do Ziraldo pra ler. A melhor parte foram os livros do Ziraldo. Mas o passaporte taí, ó. Olha só que curvas:

 
Eu tirando foto do passaporte = fotógrafo tirando foto da coelhinha da Playboy.


Depois de todo esse estresse, toda essa tensão, toda essa transpiração através de lugares impróprios, dor de cabeça, enjoo, náuseas, torcicolo, pressão alta, coração batendo igual Sheldon em porta de Penny... Ainda tem o bendito do voo!

Não é daora você pensar que você vai sair do chão, voar pelas nuvens, se sentir uma águia de rapina que não foi castrada? Não! Não é legal! xD
Na verdade, eu vou ficar enlatado feito sardinha em uma lata de sardinha voadora mais pesada que toneladas de sardinha, voando mais rápido que sardinhas, a uma distância do solo muito maior do que a maior pilha de sardinhas que existe. E você não pode dizer que sardinha é melhor que atum, então todos os seus argumentos para aliviar minha aversão à aviões são perfeitamente inválidos.

Mas montado no lombo de um jumento, com pouco conhecimento, encarando chuva e vento, e depois carregando o coitado do jumento nas costas enquando atravesso o Oceano Atlântico à nado, eu não posso ir, né. Então não tem jeito.


Eu vou ficando por aqui. Você, passe bem.
Eu, passo mal.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Fim da Minha Abstinência Religiosa.

Há mais ou menos um ano e meio, eu iniciei meus questionamentos à respeito de religião de uma forma séria, e me abstive não somente de frequentar à igreja evangélica da qual era adepto, mas de todo dogma religioso, e comecei a me procurar interiormente, visitando outras denominações e pesquisando sobre outras formas de pensar, que não cristãs. Em Abril de 2012 publiquei um texto intitulado "A Sociedade Depois de Cristo", onde mostrei para qualquer um que quisesse ler, a minha opinião naquele momento e a maneira como eu estava me sentindo.

Depois da publicação desse texto, as tentativas de re-evangelização se intensificaram por parte dos evangélicos da mesma igreja que eu deixei, e também de outras. Intensificaram-se os olhares de menosprezo daqueles que me julgavam interiormente. Mostraram-se mais rechaçados aqueles que tinham uma religião mas não queriam conversar sobre ela especificamente comigo, por que me achavam a pior pessoa pra se conversar sobre o assunto.

E eu não culpo nenhum deles, porque nesse intervalo de tempo, eu fui mesmo a pior pessoa pra se falar sobre religião, fui sim muitas vezes desrespeitoso e indelicado, para não falar ignorante. Se eu estava buscando com o que me firmar, não poderia criticar tudo o que vinha até mim.

Do meio mais turbulento e complexo do Cristianismo, me lancei de cabeça diretamente para as profundezas Ateísticas, terreno onde eu sempre pensei que não havia espaço para outras considerações, a não ser para a razão. Dali eu nadei desesperadamente para algo que não fosse tão extremista e encontrei 'as filosofias de cima do muro' chamadas Deísmo e Agnosticismo, que também não me satisfizeram.

Desse ponto em diante, abri minha mente para toda e qualquer crença no invisível, que não fosse completamente absurda, nem totalmente manipuladora. Passei discretamente pelo catolicismo, que só não considerei pelo o que eu conheço de história e pelo o que me foi dado nos tempos de protestante. Pesquisei o Mormonismo, li o Velho Testamento e aprendi a crença judaica, reli o Novo Testamento cujo considerava torpe. Entre isso e aquilo me peguei lendo o Alcorão, e descobri nele uma vertente do bem que se apega também à filosofia política da Direita.

Minha mente mudou. Minha maneira de ver o mundo agora me apazígua  ao invés de me provocar frustração. Aprendi a lei do respeito e da paciência, palavras bonitas que a gente aprende guri, mas que só têm significado quando temos a mente aberta.

De repente vi claramente porque existem tantas religiões e um número muito maior de denominações religiosas, e um número tão pequeno de pessoas boas de verdade. De repente vi que a sua crença não muda a sua essência, nem te obriga a seguir regras de conduta, mas te completa interiormente, se você souber onde está se embrenhando.

Eu voltei consciente ao Cristianismo, mas dessa vez livre de pensamentos sectários, sufocantes e obtusos. Eu voltei com a certeza de não estar sendo enganado, não porque confio cegamente na visão do outro, mas porque confio na minha própria inteligência.

Se foi "Deus que me fez voltar para esta graça", ou que saí "da porta do inferno para adentrar nas águas plácidas da salvação", então que assim seja, mas não vou fundamentar meu caminho numa promessa de vida após a morte à guisa de castigo ou bênção, porque isso, sendo verdade ou não, é desculpa para se cometer hipocrisias!

Jesus Cristo ensinou a amar, perdoar e seguir em frente, e não me interessa se ele era divino ou não, filho de Deus ou não, me interessa que isso é a mais pura verdade para mim. Se Deus, Iavé ou Allah realmente existe, ele mesmo saberá o tempo de me dizer QUANDO e SE eu devo me transformar numa nova criatura, e isso não depende de nenhum ser humano como eu. No meu pensar e no meu interior, eu já me transformei no que deveria me transformar, e isso significa que eu aceitarei prontamente se for chamado para conhecer o divino, sendo por meio do cristianismo ou não.

Este texto também significa que eu sei que não poderei participar de todas as atividades realizadas dentro da igreja, e que não serei considerado como membro dela, e que eu estou em paz com isso. Também significa que eu seguirei as regras de conduta conforme eu for entendendo-as e me sentindo capaz de cumpri-las, e que eu estou em paz com isso. Minha fé solitária para mim basta. 

Era isso o que eu queria dizer, a você, a eles e a todos. Obrigado por ter lido até aqui.