segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Protocolo dos Relacionamentos.

Existem certas coisas que devem ser consideradas quando se pretende relacionar com outras pessoas. Digo, pessoas comuns e normais, no meu caso.


Primeiro, a sua obrigação é se curvar à todos os ideais e opiniões da pessoa em questão, sem perguntar ou contestar com nada, por que essa é a essência das pessoas normais e você precisa se enturmar.


Segundo, esteja bem seguro já de início de que tipo de relacionamento você quer ter com a outra pessoa, do quanto você necessita dela, de quanto tempo vai durar, quando o contato será cortado e por quê. Isso evita que você acabe se decepcionando estupidamente no acerto de contas.


Terceiro, abra mão de todo o seu amor próprio e dignidade, esteja consciente de que será pisado e humilhado logo quando o cidadão ou cidadã perceber que você o/a quer bem e que está disposto a correr riscos na relação. Faça isso tanto por amor, admiração, respeito ou outro sentimento fútil e desnecessário que o ser humano carrega consigo desde o começo dos tempos.


Por último e o passo principal a ser considerado: Seja normal. Quando digo "normal", é o verdadeiro, literal e puro sentido da palavra. Seja exatamente o que o outro é, esqueça o que você pensa sobre a vida, os seus costumes, bons modos, educação, entretenimento e o cacete à quatro que você seja no momento. Seja a outra pessoa. É legal, divertido e faz bem à saúde. Todos irão te aceitar e você poderá começar a pular de relação em relação como eles fazem, descartando os que já enjoaram e capturando os sangue-novos que também não se importarão quando serem descartados também.


Isso é um manual prático de sobrevivência à sociedade, que por mim deveria ser documento oficial da ONU, um Tratado de Cooperação Internacional Para o Relacionamento de Seres Humanos, o Protocolo da Convivência com Pessoas Normais.


Indiretamente isso já acontece, sem qualquer tipo de escrúpulos por parte dos comuns, que insistem em torturar os desavisados. Eu já fui um desavisado, e hoje, apesar de ciente e experiente com o assunto, ainda não sigo o protocolo por irredutível teimosia. Afinal, se não gostam de mim no estado anormal (quase mutante) que eu me encontro na atualidade, nunca vão gostar. Isso na verdade traz um forever alonismo do cacete, por que nessa joça de mundo só tem pessoas normais. Por todo canto. Ainda não sei como estou vivo e respirando.


Os piores contatos que eu tive com pessoas normais foram decididamente três.


O primeiro foi com uma loucura de menina, um violão moreno. Sexy de cair o queixo. O problema excruciante foi a minha caturrice de dizer que gostava dela. Uma realidade cruel que um dia me levaria a um profundo quadro de auto-flagelação. Mas a desgramada não me dava foras, então eu não estava bem certo do que ela pensava, e chegou a dizer por vezes que também gostava de mim. Com ela tive o meu primeiro beijo e minha maior decepção amorosa até então. 


O segundo foi com uma menina com atributos e personalidade diferentes, mas igualmente linda, de matar e morrer. A queria apenas como amiga, primeiro por que estava aterrorizado com a ideia mais remota de amar mais alguém, segundo por que eu e ela não combinávamos nem um pouco. Acabou por eu descobrir pela convivência que a simpática patricinha só queria ser admirada, pra enaltecer o ego e sustentar a vaidade. Nunca mais nos falamos.


O terceiro foi mais uma vez com uma menina (sempre são elas), também linda, esbelta, inteligente e fã de sagas literárias (ainda tem essa!). No tempo da primeira menina, dizia ela que gostava de mim, porém eu gostava desta primeira. Em resumo foi mais ou menos isso: gostava de mim > eu não dela > tempos depois eu gosto dela > ela diz que também > nos beijamos > outro dia me diz por uma amiga que queria ficar com outro idiota.


Pelo menos aprendi coisas que vou levar pra vida toda com essas situações: com a primeira garota, aprendi a não me apegar às pessoas. Com a segunda, a não considerar em hipótese alguma amizade com pessoas falsas. Com a terceira, aprendi que eu devo beijar mal pra caralho. 


Isso parece coisa de Colírio da Capricho, falar de amor adolescente. Mas a porra do amor adolescente existe, caralho, é justo nessa merda de idade que a doença começa. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou ter amado com todas as suas forças antes de criar pêlo no saco. A questão não é se existe ou deixa de existir, a questão é a maturidade do amor, à ponto das pessoas negligenciarem sua real existência, dizendo que o amor depende do quanto você consegue ser terceira série pra dizer coisinhas fru-fru e coloridas pra quem você quer só até semana que vem.


Não só o amor os normais conseguem manipular e distorcer, como a amizade também. Você pode comprovar isso dando uma rápida olhada no Facebook e vendo que a cada foto que passa, você percebe que a melhor amiga daquela menina consegue ser mais de cem pessoas diferentes em um álbum só.

Amigo é uma coisa pra se contar nos dedos, e os meus pra contar preciso de um dedo só. Amigo é o filho da puta que te xinga quando é necessário, não a vadia que te enche de elogios mas quer trepar com o seu namorado.


Estudando o Protocolo você consegue ver como se convive com normais hipócritas, porém se você não segue o documento à risca, acaba por não entender os normais que se dizem românticos e riem da sua cara quando você diz que tem um namoro à distância. A idéia a de gostar de uma pessoa que está há milhares de quilômetros longe de você parece absurda.


Normais hipócritas são o tipo de normal que fazem brincadeiras e palhaçadas mas dizem que os outros são sempre os infantis, por que é claro, duh, eles sabem beijar na boca. Isso faz deles muito maduros. Essa espécie também diz ter bom gosto musical e cultural, juram de pés juntos que são fãs de vários artistas, poetas, escritores e músicos que nem ao menos conhecem ou já ouviram falar. Nunca consideram outro ponto de vista e acham desprezível a ideia de falar a verdade ao menos uma vez na vida. 

Eu sou a prova viva da eficácia do Protocolo. Na verdade, da não-eficácia de quem não segue. Não seja como eu, se espelhe no Protocolo, você vai ser uma pessoa bem melhor assim. 


"Que conste nos autos que todos e quaisquer que não obedecem as regras redigidas neste documento, estão fadados a ter uma péssima e irrevogável vida depressiva. Como a minha."



sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Rebelde Independente - Capítulo 10

Pois é, não posto mais capítulos de "O Rebelde Independente" há quase dois meses. Ninguém efetivamente reclamou, mas tenho que explicar que pra fazer esse tipo de texto (acho que se chama "Ficção Histórica") tem que pesquisar pra cacete pra não errar algum detalhe. Fora o esquecimento, falta de compromisso, procrastinação e preguiça dos diabos. Mas aí está. Divirta-se.

É necessário ler:


Rinha de Ibéricos Parte II

A Espanha estava em polvorosa naquele dia. O povo espanhol, totalmente traído e jogado pra escanteio, estava protestando, quase que inutilmente, contra Napoleão Bonaparte.

Como ninguém nunca espera que um anão arrombe a porta da frente da sua casa e comece a dar palpites sobre o lustra-móveis que você usa, o pessoal ficou revoltado.

Com o rei Carlos IV abdicado, preso, e com um volume malcheiroso enormemente constrangedor nas suas calças, Napoleão conseguiu dominar a Espanha. Ou assim esperava que tivesse feito.

A estratégia de Napoleão (dentre suas variantes, muito usada hoje em dia pelos parlamentares de Brasília) era nomear um parente seu para governar os territórios por ele, para poupar tempo, dinheiro e burlar burocracias aristocráticas.

No caso da Espanha foi seu irmão, José Bonaparte, 20 centímetros mais alto e 60% mais bonito.

Isso era um tiro no pé. Bolas, há uma lei de conhecimento geral de que o governante de qualquer país europeu tem de ser, invariavelmente, extremamente e inescrupulosamente feio.

O raciocínio era o seguinte: “Mas que diabos, se você tomou o governo à força, tenha ao menos a decência de governar você mesmo”.

O protesto estava insustentável. Até as paredes do palácio estavam fracas com o estardalhaço.

-Mas o que diabos aquele bando de gente subalterna pensa que está fazendo? – vociferou Napoleão Bonaparte.

-Protestando, eu acho. – Respondeu José Bonaparte.

-Eu sei o que eles estão fazendo, seu mentecapto! – vociferou ainda mais alto Napoleão.

-Só pra registrar a idéia. – disse José.

-Eu vou ter que tomar uma medida drástica. – concluiu Napoleão.

-Sua especialidade... – comentou José.

-Cale a boca! – vociferou outra vez Napoleão.

Realmente era sua especialidade. Não se conformando com uma arma, mandou detonar não um, mas sete canhões contra a multidão. Funcionou.

-Sou o cara ou não sou? – se gabou Napoleão.

-Não era o que papai dizia... – provocou José.

-Ora, cale a boca! – vociferou Napoleão Bonaparte. Vociferar também era sua especialidade.

Porém, contrariando todas as probabilidades, os que sobreviveram ao bombardeio dos canhões se organizaram, teimosa, suicida e imbecilmente. Formando forças de resistência independentes em vários pontos do país, o povo espanhol se encarregou de lutar pessoalmente contra os franceses.

-Antes que você pergunte, estão formando forças de resistência independentes em vários pontos do país para lutar contra a gente – informou José. – Quer que eu cuide disso?

-Não. Meu lema é: se quer uma boa guerra imperialista sangrenta, faça a guerra imperialista sangrenta você mesmo.

-Boa sorte.

Ele precisou, afinal.
...

Já em Portugal o clima estava tenso. Para Jean-Andoche Junot, a idéia de ter ouvido sua mãe e seguido a carreira de balé em vez da militar estava cada vez mais “ela estava certa” na sua cabeça. Arthur Wellesley estava empreitando uma avassaladora campanha anglo-portuguesa contra os franceses. A guerra estava irritantemente equilibrada.

Junot precisava urgentemente de uma aspirina. Havia gente correndo, havia gente matando, havia gente morrendo, por todos os lados. Tinha se preparado psicologicamente para isso: pensava em chegar, matar um ou dois velhos gordos e voltar pra casa, mas isso não estava acontecendo. Era frustrante. Por que os malditos velhos gordos não paravam de matar os seus soldados e voltavam pra casa comer bacalhau? Por que as malditas senhoras com seus chalés e coques na cabeça simplesmente não iam pra casa fazer crochê? A situação era sobrenatural.

Nas batalhas de Roliça e Vimeiro (respectivamente, 17 e 21 de Agosto de 1808), 2 mil franceses foram pro espaço. Na ocasião, o respeitoso General saiu dando demi-pliés e sissones en avant vestindo um tutu, calça de malha e sapatilhas de balé.

Na falta de um General à altura de Junot, Napoleão escolheu o que pensava ser um homem menos propenso a fugir da guerra vestindo tutus e calças de malha. Homem firme, homem forte, corajoso, fiel, feio, desonesto, completo imbecil, de cabeça chata e com Jean no meio do nome, como não poderia deixar de ser. Escolheu o Duque da Dalmácia, futuro Primeiro-Ministro da França, o marechal Nicolas Jean-de-Dieu Soult.

Com Marechal Soult, deu-se início à Segunda Invasão Francesa em Portugal, a fevereiro de 1809.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Coca ou Guaraná?

Está cientificamente provado pelos mais renomados Institutos de Pesquisa do mundo: Quando você está sozinho já é um completo idiota, quando está com um amigo vai de Bem Comportado à Ney Matogrosso em 5 segundos.


Neste sábado eu fui na festa de aniversário e aposentadoria do ex-diretor da minha escola. Talvez o primeiro diretor que a escola já teve e talvez o velho mais daora que eu já conheci na vida. Rafael ficou encarregado de fazer um vídeo em homenagem à ele com fotos de Mil-Novecentos-E-Não-Te-Interessa, que eu, como exímio editor de vídeos e penetra cara de pau, não ajudei a fazer. Por isso fui convidado pra festa também.


Aconteceu em um restaurante com a família, os amigos íntimos e ex-colegas de trabalho do diretor; família, amigos íntimos e colegas de trabalho da família (?), dos amigos íntimos e dos ex-colegas de trabalho do diretor. Além do penetra aqui e o Rafael. A homenagem ia rodar em um projetor e ficamos sentados atrás dele. Até aí tudo OK, esperamos convidados chegarem, convidados chegaram, garçons começaram a trabalhar e depois de um tempinho todos começaram a petiscar e jantar felizes e satisfeitos. 
Menos nós.


Volta e meia algum garçom vinha e oferecia refrigerante com a fatídica frase arranjada: "Coca ou Guaraná?". Depois de três ou quatro copos de coca ou guaraná, comecei a ficar inquieto, querendo esticar as canelas pelo restaurante e conversar com gente. Expressamente Rafael disse que não, que devíamos esperar pra rodar a homenagem - o que não impediu que eu fosse no banheiro incontáveis vezes antes da mesma.


20 Minutos depois do começo da festa, "Coca ou Guaraná" virou um dos bordões que usamos quase o tempo todo. Eu explico: na falta do consumo de bebidas alcoólicas, nos embriagamos com refrigerante. É aquela coisa toda, começa a rir de tudo, rir sem motivo, rir consigo mesmo, rir da cara do outro, rir da coca ou guaraná, rir quando dizemos isso, enfim, dar risada. A situação não podia ficar mais ridícula, mas pode apostar que ficou, afinal, amigos amigos, senso comum à parte.


Mais ou menos meia hora de festa e Seu Zé (ex-diretor e aniversariante) deu o ar de sua graça com direito a discurso e agradecimentos, depois vieram as homenagens dos entes queridos e o vídeo.


Enfim era hora de esticar as canelas, e fazendo isso, as pessoas começaram a sugerir que jantássemos. 

Rafael: Bruno, como é "jantar" em inglês?
Eu: "Dinner"
Rafael: NO DINNER, PLEASE!


Aí pronto, um segundo bordão, mais risadas, menos janta. Enfim, fomos convidados a sentar em uma mesa onde todo mundo estava com seu prato, jantando, e eu e Rafa, com nossos copos, bebendo. 


Naquela mesa também sugeriram que a gente jantasse, e a resposta foi: 
"Coca... ou Guaraná?"


Acabou por descobrirmos que tinha um self-service escondido com maestria bem debaixo dos nossos narizes. 




...

Fora isso, o ponto alto da festa foi a música e a dança. Sim, dança. Não tenho ideia de como dançar mais foi isso que eu fiz. Imagine só.


O DJ teve os dom de tocar músicas Disco. Sacomé, anos 70, aquele troço doido.


Tocaram os clássicos Macarena, That's The Way (I Like It) e I Will Survive. E todo mundo sabe que as músicas oficiais de se soltar a franga são Macarena, That's The Way (I Like It) e I Will Survive. Como um bom menininho da geração Ney Matogrosso, soltei a franga em todas elas com gosto e pagação de mico. Foi foda, rapaz.