terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal Sem Neve



Eu fico impressionado com o número de pessoas imbecis nesse Facebook. Desde o dia 1º de Dezembro estou vendo compartilhamentos incansáveis, status mais curtidos do que páginas religiosas (ou daquelas sobre mensagenzinhas fofas e gliterizadas) sobre "BRASIL É TÃO POBRE QUE NÃO SERVE NEM PRA TER NEVE NO NATAL".


Isso me dá náuseas. 

Vamos começar do começo, então. Se vossa senhoria aprendeu alguma coisa de geografia, o que dá pra ver que não, é óbvio que aqui não tem neve.



É toda aquela história (geografia, como eu disse): o mundo é cortado por duas linhas imaginárias que o dividem, o Meridiano de Greenwich - que divide o mundo nos hemisférios oriental e ocidental -, e a Linha do Equador onde temos os hemisférios norte e sul.

A luz incide de maneira diferente nos hemisférios por causa da inclinação da Terra em relação ao Sol. Ou seja, enquanto no Hemisfério Norte é inverno, no Sul é verão. O Brasil, como você pode ver no mapa ali em cima, está abaixo da linha do Equador, portanto, Hemisfério Sul. Entendeu ou quer que eu desenhe? 

Por isso, no Brasil não tem neve. E grazadeus. Neve, como diria Edir Macedo, "é coisa do demônio":

As ruas ficam interditadas, pessoas sofrem acidentes quando está escorregadia, estradas são fechadas quando ela cai muito forte, voos são cancelados quando tem nevasca, a temperatura é insuportável até pra quem convive com isso todo ano, você tem que sair vestido como uma bola de meia gigante - com galochas, três luvas, cinco casacos, três toucas e óculos escuros (porque ofusca os olhos) ...



"Ah, mas a neve é linda!" Mas claro que a neve é linda, não se pode negar isso. 
Mas por acaso você varre toda manhã as folhas da sua calçada? Você ao menos tem uma árvore na sua calçada? Minha avó tem que varrer aquilo todo santo dia e reclama pra caramba. Aquilo junta e se amontoa, incomoda e bagunça como nada nesse mundo. Nada nesse mundo, a não ser NEVE.



Enfim, se quiser neve no Natal, vá para os Estados Unidos, faça anjinhos de neve, espirre, se molhe, vista trezentas blusas e pegue uma pneumonia das brabas. 

E você ainda está com dúvidas de que esse é o meu post de Natal? LOL
Feliz Solstício de Inverno pra vocês. ;)


sábado, 22 de setembro de 2012

Síndrome do Modismo

Chega um momento na vida de todo ser humano que ele se sente na obrigação de fazer coisas completamente débeis e estúpidas, para poder se integrar a certo grupo de outros seres humanos que tentam exponencialmente fazer o mesmo. Este ridículo momento chama-se "entrar na moda".

Numa hora de desespero, a pessoa opta por fazer coisas que não são do seu agrado para suprir sua carência de atenção. Os efeitos são tão avassaladores, que o indivíduo perde a noção do que é sensato e inteligente, e acaba por sentir prazer nos seus feitos inescrupulosos, não ouvindo os apelos sinceros que vêm de fora da panelinha de gente bestificada. 

A maravilhosa letra de "Eu quero Tchu" só teve e proporção que teve por que um outro símbolo modista chamado Neymar Junior fez sua coreografia pouco criativa e desinteressante durante uma comemoração num jogo de futebol. O resultado? Hoje vemos gente sem nem meio metro quadrado de cérebro enchendo a boca pra cantar.

O mesmo acontece com outros sertanejos universitários do gênero, outros axés do gênero, outros pagodes e outr... toda espécie de funk carioca existente na face da Terra. Quanto mais arriscado a se ver longe dos seus neurônios, mais o sujeito fica feliz.

E além da merda que já é nacional, tem a merda que vem de fora. Afinal todo importado tem seu luxo. Diga-me quantas vezes você ouve uma música tão bela e profunda quanto "Sexy And I Know It" ou  "Run the World (Girls)",  ou ainda, "Boyfriend"?

E isso não se restringe só na música, o buraco é bem mais embaixo. O estilo das roupas, os cortes de cabelos, os gostos pessoais, a maneira de tratar os outros, e até a doutrina religiosa:

Fulano muda totalmente seu jeito de se vestir e pentear o cabelo porque recebe muitas críticas, para de assistir Star Trek TOS por que é coisa de gente babaca, começa a tratar todo mundo com casca e tudo porque assim consegue mais status, se torna ateu sem saber nem o que é isso porque assim parece mais inteligente.

E assim cada vez mais aqueles que confiaram e apostaram, e que esperaram da juventude a solução para uma sociedade melhor, estão quebrando a cara. Por que no Brasil, nada se cria, tudo se pega do penico e enfia na cabeça do povo.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um novo Brasil?

Ah, olá a todos, tem muito tempo que eu não posto aqui, eu não quero ficar falando muito, queria só compartilhar um pensamento que eu tive esses dias.
Agora com essas campanhas políticas tudo que se vê é que tal cidade é a mais evoluída, com o melhor comércio e coisas desse tipo. Tudo hipocrisia. Eu queria falar de outra coisa, do povo.
O povo do Brasil sempre foi muito manipulado pela televisão, (ainda é) mas eu acho que de uns tempos para cá o povo vem melhorando suas ideias, seus conceitos sobre a vida, procurando outras mídias além da televisão, eles conseguiram expandir seus conhecimentos. À par disso, o governo também mudou, mudou seus ideais, continuam de um jeito muito desagradável, mas cada passo dado, é um centímetro mais perto de um desenvolvimento real. Porque eu estou falando disso? Porque simplesmente um dos principais objetivos do governo agora, é ajudar a criança brasileira a manter um peso saudável, e além disso ter uma alimentação adequada e evitar excessos de certos tipos. No geral essa frase não faz muito sentido, mas dá para entender que o governo brasileiro quer evitar que nós almocemos fora de casa, que evitemos comer demais, que tenhamos uma alimentação equilibrada, provavelmente eles querem uma população mais saudável.
Se pensarmos que alguns anos atrás um dos maiores problemas do Brasil (que ainda existe, numa escala grande, mas não tão enorme) era a fome e a miséria, podemos pensar numa evolução, porque se eles querem uma alimentação saudável, quer dizer que a maior parte da população saiu da miséria  e o quadro mudou, é muito alimento inadequado consumido. Da miséria, para o excesso. Isso não deve ser considerado como uma evolução tão boa, mas já é um passo. Dos males, agora o menor.
Quem sabe um dia o governo brasileiro acorde totalmente e veja a potência em geral do Brasil, a boa mão de obra que migra por falta de preparação do Brasil, a comunidade da internet que faz o Brasil receber em média 200.000 dólares de países do exterior (principalmente o USA) o Brasil tem tudo para evoluir, só falta o governo repensar seus conceitos e traçar um bom caminho.



Gostaram do post? Se gostaram compartilhem se gostaram das minhas ideias e pensamentos, sigam-me no twitter, e até um próximo post.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Rebelde Independente - Capítulo 11

É necessário ler:

Guiana Portuguesa

A Guiana Francesa é um lugar peculiar. Não está em território francês nem mesmo europeu, mas é subordinada à França e integra a União Européia, assim possuindo como moeda corrente, o Euro. É um departamento ultramarino francês, o que na prática é um termo mais republicano para “colônia petit gâteau”.

Em 1498 a expedição espanhola de Cristóvão Colombo descobriu as terras Guianas, que em 1604 passaram a ser colonizadas pela França. O território sofreu disputa entre holandeses e franceses até o estabelecimento legal como colônia francesa em 1667, através do Tratado de Breda. 

Agora, o que tudo isso tem a ver com as Guerras Napoleônicas? O pouca-sombra de cabeça chata era o Imperador da França no início do século XIX, mesmo período em que Dom João & Companhia fugiram para o Brasil (o qual fazia e faz fronteira com a Guiana) por implicância do Bloqueio Continental e intermédio da Rainha da Inglaterra.

Isso gera certas indagações.

Lá estava Dom João, deitado em sua rede, de óculos escuros e bebendo água-de-coco, meditando sobre sua falta de cabra-macheza em fugir do seu país e não encarar o inimigo nos olhos, como deveria ter sido feito.  Indagou ao primeiro-ministro:

-Ora pois, me respondas gajo, qual é o país mais próximo no qual se fala francês?

-A colônia Guiana, senhor. – Respondeu prontamente o ministro.

-Ótimo, mande invadir a Guiana – disse Dom João, o qual agora podia terminar o que estava fazendo sem ter que pensar no peso na consciência e todas essas baboseiras morais.

Caiena, capital, foi invadida e rendida em 12 de janeiro de 1809, e, pelos 8 anos seguintes, a Guiana Francesa esteve ocupada por portugueses.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Metrô Linha 743



Ele ia andando pela rua meio apressado, sabia que tava sendo vigiado. Cheguei para ele e disse: 
-Ei amigo, você pode me ceder um cigarro?
Ele disse: 
-Eu dou, mas vá fumar lá do outro lado, dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado! - disse - o prato mais caro do melhor banquete é aquele se come cabeça de gente que pensa, e os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam porque, quem pensa, pensa melhor parado. Desculpe minha pressa, fingindo atrasado. Trabalho em cartório mas sou escritor, perdi minha pena nem sei qual foi o mês... Metrô linha 743...
O homem apressado me deixou e saiu voando, aí eu me encostei num poste e fiquei fumando.
Três outros chegaram com pistolas na mão. Um gritou: 
-Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos!
Eu disse: 
-Claro, pois não, mas o que é que eu fiz? Se é documento eu tenho aqui...
O outro disse: 
-Não interessa, pouco importa, fique aí, eu quero é saber o que você estava pensando. Eu avalio o preço me baseando no nível mental que você anda por aí usando, aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando.
Minha cabeça caída, solta no chão, eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez... Metrô linha 743.
Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha e eu era agora um cérebro, um cérebro vivo à vinagrete! Meu cérebro logo pensou: "que seja, mas nunca fui tiete!". Fui posto à mesa com mais dois, eram três pratos raros, e foi o maître que pôs. 
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor alinhado. Meu último pedaço, antes de ser engolido ainda pensou grilado:
-Quem será este desgraçado dono desta zorra toda?
Já tá tudo armado, o jogo dos caçadores canibais, mas o negócio aqui tá muito bandeira... Dá bandeira demais meu Deus! Cuidado brother, cuidado sábio senhor, é um conselho sério pra vocês:
Eu morri e nem sei mesmo qual foi aquele mês... Ah! Metrô linha 743...
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Muitos não entendem a analogia intrínseca nesta obra de arte do mestre Raul Seixas. Seu cérebro pode estar sendo devorado, e você não se pergunta quem será o desgraçado dono da zorra toda. Pense nisso. Se conseguir, claro.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Questão de Ética

Mario Sergio Cortella, escritor, professor, palestrante e filósofo; em entrevista com Jô Soares, explica o que é Ética:


"Ética é o conjunto de valores e princípios que você e eu usamos para decidir as três grandes questões da vida, que são: Quero? Devo? Posso? Isso é Ética.
 Quais são os princípios que eu uso? Tem coisa que eu quero mas não devo, tem coisa que eu devo mas não posso, tem coisa que eu posso mas não quero.
 Quando você tem paz de espírito? Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é o que você pode e o que você deve.
 Ética é o conjunto de valores que você usa para decidir isso."

Eu gosto demais desse cara. Digo e repito: o sujeito que possuir um cérebro maior que a minha casa merece minha idolatria e respeito. Sendo assim, meu quarteirão inteiro é nada perto do cérebro de Mario Sergio Cortella.

domingo, 19 de agosto de 2012

Flavonoides! (por Antonio Prata)

Uns crêem em Deus, outros no Diabo e há até quem espere do capitalismo a redenção de nossas pobres almas: eu acredito em substâncias. Analiso a tabela nutricional no rótulo de um chocolate com a seriedade de um exegeta, procuro verdades obscuras por trás da quantidade de calorias ou carboidratos de um suco de laranja como um rabino cabalista. Sei que, pela interpretação correta daqueles míseros gramas de fibras, sódio ou fósforo, pode-se vislumbrar a verdadeira face de Deus.

Ou do Diabo. Se, na boca do povo, o demônio atende por nomes como Tinhoso, Belzebu e Lúcifer, nas tabelas nutricionais esconde-se sob a alcunha de gorduras saturadas, fenilalanina, colesterol, sódio e, de uns tempos para cá, gorduras trans. (Não se deixe enganar por esse nome simpático, com ar de disco do Caetano em 79: as gorduras trans, dizem os especialistas, colam feito argamassa nas paredes das artérias.)

Comecei a temer as substâncias com a fenilalanina. Não tenho a menor idéia do que seja, mas faz alguns anos que a Coca-light traz o aviso, misterioso e soturno: contém fenilalanina. O McDonald's, ainda mais incisivo, colou um adesivo no balcão de suas lanchonetes: 'Atenção, fenilcetonúricos: contém fenilalanina'. Desde então, toda noite, ao pôr a cabeça no travesseiro, imagino diálogos como 'Pois é, menina, o Antonio! Era fenilcetonúrico e não sabia. Fulminante. Tão novo, judiação...'

O cidadão atento deve ter notado que o glúten, de uns anos para cá, também ganhou uma certa notoriedade nos rótulos. 'Contém glúten', dizem embalagens de uma infinidade de alimentos, sem mais explicações. Qual é a do glúten? Faz bem para a vista? Ataca o fígado? Derrete o cérebro? Podem os fenilcetonúricos comer glúten sem problemas?

Como bom crente, sei que as substâncias matam, mas também podem salvar. Pelo menos, é o que espero do chá verde e seus incríveis flavonóides, que venho consumindo com fervor e regularidade nas últimas semanas. Você sabe o que são flavonóides? Pois é, eu também não, mas o rótulo do tal Green Tea avisa, com grande júbilo (um pequeno gráfico), que uma garrafinha tem quatro vezes mais flavonóides do que o suco de laranja e treze vezes mais do que o brócolis. Diz ainda, à guisa de explicação, tratar-se de poderoso antioxidante. Fico muito tranqüilo: posso cair fulminado pela fenilalanina ou sofrer as insuspeitas mazelas do glúten, mas de enferrujar, ao que parece, estou a salvo.


-Antonio Prata

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Our Wonderful City

É o seguinte, moçada, eu não tenho porra nenhuma pra postar então resolvi encher linguiça e noticiar notícia, por que noticiar notícia é ramo de desocupado.

Em 29 de Setembro de 2011 eu fiz um post bem fofinho e bonitinho (por que era o meu estilo na época e foda-se se eu mudei), sobre o Google Street View, que você pode conferir aquiNo post eu mostrei minha antiga casa e escola, na Casa Verde, bairro da cidade de São Paulo, por que me deu na telha.

Então hoje, meu ilustre, gordo e inútil amigo Rafael (ex-Wilson, bola do Náufrago, por que sim), me disse que havia achado a si mesmo. De início pensei que se tratava de uma frase filosófica profunda ou de novos métodos para emagrecer, mas ele estava falando do Street View.

Não sei a quanto tempo o serviço está disponível para a cidade, mas como Matão é um ovo e minha cabeça um ovo de codorna, achei super maneiro e quis ver se o dito cujo estava lá mesmo.

Ele estava.

Conheça nossa Maravilhosa Cidade, alcunha avessada do Rio de Janeiro, mas originalidade está fora de moda e sarcasmo é sempre bem-vindo. 

Esquina do Olho do Inferno, Onde o Judas Perdeu as Botas, São Paulo - Brasil


Exibir mapa ampliado

Não mostrarei minha casa.
Ciao, maledettos!

domingo, 12 de agosto de 2012

Conversa com vizinho


Conversa de hoje com o meu vizinho:
-Não foi no Culto de Jovens¹ hoje não?
-Não estou indo mais...
-Ah, é? Tu vai é ir pro inferno, rapaz! É, tá pensando que é brincadeira? Deus não abençoa não!
-Exatamente...

¹Culto de Jovens é uma reunião evangélica de jovens e menores, semelhante a uma missa para crianças e adolescentes, que acontece todo domingo na Congregação Cristã no Brasil, a qual eu comparecia sempre.

Eu simplesmente acho que seria falta de respeito tremenda ou hipocrisia descarada frequentar um lugar onde eu não mais me sinto à vontade, justamente quando estou passando por essa fase de questionamento religioso - que cedo ou tarde todo mundo passa mas na maioria das vezes não assume por medo de ser anti-ético.

A fase do medo de ser anti-ético ou ser discriminado já passou e agora efetivamente estou em reclusão, não frequentando Igreja nenhuma, não me prestando a dogma algum. Simplesmente lendo a Bíblia, exercício fundamental de todo o cristão. Ou seja, não estou repudiando a Igreja que frequentava, estou tentando compreender o Cristianismo em geral, bem como considerando outras religiões e pontos de vista.

As pessoas sempre acham que o tradicional é o correto e que a universalidade da opinião é indiscutível, mas o vizinho vai discordar de você até o fim dos seus dias, por que o tradicional correto e a opinião indiscutível dele é diferente da sua, gerando assim uma interminável... discussão.

Não estou dizendo que vou me tornar ateu, agnóstico, judeu ou budista, muito pelo contrário, não estou dizendo nada, estou buscando o que dizer.

"Mas quem você pensa que você é? Se enxerga, você só tem 14 anos!" Sim, tenho 14 anos, já me enxerguei e percebi que também tenho um cérebro em perfeito estado funcionando também há 14 anos.

¡Hasta la vista, muchachos! 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Protocolo dos Relacionamentos.

Existem certas coisas que devem ser consideradas quando se pretende relacionar com outras pessoas. Digo, pessoas comuns e normais, no meu caso.


Primeiro, a sua obrigação é se curvar à todos os ideais e opiniões da pessoa em questão, sem perguntar ou contestar com nada, por que essa é a essência das pessoas normais e você precisa se enturmar.


Segundo, esteja bem seguro já de início de que tipo de relacionamento você quer ter com a outra pessoa, do quanto você necessita dela, de quanto tempo vai durar, quando o contato será cortado e por quê. Isso evita que você acabe se decepcionando estupidamente no acerto de contas.


Terceiro, abra mão de todo o seu amor próprio e dignidade, esteja consciente de que será pisado e humilhado logo quando o cidadão ou cidadã perceber que você o/a quer bem e que está disposto a correr riscos na relação. Faça isso tanto por amor, admiração, respeito ou outro sentimento fútil e desnecessário que o ser humano carrega consigo desde o começo dos tempos.


Por último e o passo principal a ser considerado: Seja normal. Quando digo "normal", é o verdadeiro, literal e puro sentido da palavra. Seja exatamente o que o outro é, esqueça o que você pensa sobre a vida, os seus costumes, bons modos, educação, entretenimento e o cacete à quatro que você seja no momento. Seja a outra pessoa. É legal, divertido e faz bem à saúde. Todos irão te aceitar e você poderá começar a pular de relação em relação como eles fazem, descartando os que já enjoaram e capturando os sangue-novos que também não se importarão quando serem descartados também.


Isso é um manual prático de sobrevivência à sociedade, que por mim deveria ser documento oficial da ONU, um Tratado de Cooperação Internacional Para o Relacionamento de Seres Humanos, o Protocolo da Convivência com Pessoas Normais.


Indiretamente isso já acontece, sem qualquer tipo de escrúpulos por parte dos comuns, que insistem em torturar os desavisados. Eu já fui um desavisado, e hoje, apesar de ciente e experiente com o assunto, ainda não sigo o protocolo por irredutível teimosia. Afinal, se não gostam de mim no estado anormal (quase mutante) que eu me encontro na atualidade, nunca vão gostar. Isso na verdade traz um forever alonismo do cacete, por que nessa joça de mundo só tem pessoas normais. Por todo canto. Ainda não sei como estou vivo e respirando.


Os piores contatos que eu tive com pessoas normais foram decididamente três.


O primeiro foi com uma loucura de menina, um violão moreno. Sexy de cair o queixo. O problema excruciante foi a minha caturrice de dizer que gostava dela. Uma realidade cruel que um dia me levaria a um profundo quadro de auto-flagelação. Mas a desgramada não me dava foras, então eu não estava bem certo do que ela pensava, e chegou a dizer por vezes que também gostava de mim. Com ela tive o meu primeiro beijo e minha maior decepção amorosa até então. 


O segundo foi com uma menina com atributos e personalidade diferentes, mas igualmente linda, de matar e morrer. A queria apenas como amiga, primeiro por que estava aterrorizado com a ideia mais remota de amar mais alguém, segundo por que eu e ela não combinávamos nem um pouco. Acabou por eu descobrir pela convivência que a simpática patricinha só queria ser admirada, pra enaltecer o ego e sustentar a vaidade. Nunca mais nos falamos.


O terceiro foi mais uma vez com uma menina (sempre são elas), também linda, esbelta, inteligente e fã de sagas literárias (ainda tem essa!). No tempo da primeira menina, dizia ela que gostava de mim, porém eu gostava desta primeira. Em resumo foi mais ou menos isso: gostava de mim > eu não dela > tempos depois eu gosto dela > ela diz que também > nos beijamos > outro dia me diz por uma amiga que queria ficar com outro idiota.


Pelo menos aprendi coisas que vou levar pra vida toda com essas situações: com a primeira garota, aprendi a não me apegar às pessoas. Com a segunda, a não considerar em hipótese alguma amizade com pessoas falsas. Com a terceira, aprendi que eu devo beijar mal pra caralho. 


Isso parece coisa de Colírio da Capricho, falar de amor adolescente. Mas a porra do amor adolescente existe, caralho, é justo nessa merda de idade que a doença começa. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou ter amado com todas as suas forças antes de criar pêlo no saco. A questão não é se existe ou deixa de existir, a questão é a maturidade do amor, à ponto das pessoas negligenciarem sua real existência, dizendo que o amor depende do quanto você consegue ser terceira série pra dizer coisinhas fru-fru e coloridas pra quem você quer só até semana que vem.


Não só o amor os normais conseguem manipular e distorcer, como a amizade também. Você pode comprovar isso dando uma rápida olhada no Facebook e vendo que a cada foto que passa, você percebe que a melhor amiga daquela menina consegue ser mais de cem pessoas diferentes em um álbum só.

Amigo é uma coisa pra se contar nos dedos, e os meus pra contar preciso de um dedo só. Amigo é o filho da puta que te xinga quando é necessário, não a vadia que te enche de elogios mas quer trepar com o seu namorado.


Estudando o Protocolo você consegue ver como se convive com normais hipócritas, porém se você não segue o documento à risca, acaba por não entender os normais que se dizem românticos e riem da sua cara quando você diz que tem um namoro à distância. A idéia a de gostar de uma pessoa que está há milhares de quilômetros longe de você parece absurda.


Normais hipócritas são o tipo de normal que fazem brincadeiras e palhaçadas mas dizem que os outros são sempre os infantis, por que é claro, duh, eles sabem beijar na boca. Isso faz deles muito maduros. Essa espécie também diz ter bom gosto musical e cultural, juram de pés juntos que são fãs de vários artistas, poetas, escritores e músicos que nem ao menos conhecem ou já ouviram falar. Nunca consideram outro ponto de vista e acham desprezível a ideia de falar a verdade ao menos uma vez na vida. 

Eu sou a prova viva da eficácia do Protocolo. Na verdade, da não-eficácia de quem não segue. Não seja como eu, se espelhe no Protocolo, você vai ser uma pessoa bem melhor assim. 


"Que conste nos autos que todos e quaisquer que não obedecem as regras redigidas neste documento, estão fadados a ter uma péssima e irrevogável vida depressiva. Como a minha."



sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Rebelde Independente - Capítulo 10

Pois é, não posto mais capítulos de "O Rebelde Independente" há quase dois meses. Ninguém efetivamente reclamou, mas tenho que explicar que pra fazer esse tipo de texto (acho que se chama "Ficção Histórica") tem que pesquisar pra cacete pra não errar algum detalhe. Fora o esquecimento, falta de compromisso, procrastinação e preguiça dos diabos. Mas aí está. Divirta-se.

É necessário ler:


Rinha de Ibéricos Parte II

A Espanha estava em polvorosa naquele dia. O povo espanhol, totalmente traído e jogado pra escanteio, estava protestando, quase que inutilmente, contra Napoleão Bonaparte.

Como ninguém nunca espera que um anão arrombe a porta da frente da sua casa e comece a dar palpites sobre o lustra-móveis que você usa, o pessoal ficou revoltado.

Com o rei Carlos IV abdicado, preso, e com um volume malcheiroso enormemente constrangedor nas suas calças, Napoleão conseguiu dominar a Espanha. Ou assim esperava que tivesse feito.

A estratégia de Napoleão (dentre suas variantes, muito usada hoje em dia pelos parlamentares de Brasília) era nomear um parente seu para governar os territórios por ele, para poupar tempo, dinheiro e burlar burocracias aristocráticas.

No caso da Espanha foi seu irmão, José Bonaparte, 20 centímetros mais alto e 60% mais bonito.

Isso era um tiro no pé. Bolas, há uma lei de conhecimento geral de que o governante de qualquer país europeu tem de ser, invariavelmente, extremamente e inescrupulosamente feio.

O raciocínio era o seguinte: “Mas que diabos, se você tomou o governo à força, tenha ao menos a decência de governar você mesmo”.

O protesto estava insustentável. Até as paredes do palácio estavam fracas com o estardalhaço.

-Mas o que diabos aquele bando de gente subalterna pensa que está fazendo? – vociferou Napoleão Bonaparte.

-Protestando, eu acho. – Respondeu José Bonaparte.

-Eu sei o que eles estão fazendo, seu mentecapto! – vociferou ainda mais alto Napoleão.

-Só pra registrar a idéia. – disse José.

-Eu vou ter que tomar uma medida drástica. – concluiu Napoleão.

-Sua especialidade... – comentou José.

-Cale a boca! – vociferou outra vez Napoleão.

Realmente era sua especialidade. Não se conformando com uma arma, mandou detonar não um, mas sete canhões contra a multidão. Funcionou.

-Sou o cara ou não sou? – se gabou Napoleão.

-Não era o que papai dizia... – provocou José.

-Ora, cale a boca! – vociferou Napoleão Bonaparte. Vociferar também era sua especialidade.

Porém, contrariando todas as probabilidades, os que sobreviveram ao bombardeio dos canhões se organizaram, teimosa, suicida e imbecilmente. Formando forças de resistência independentes em vários pontos do país, o povo espanhol se encarregou de lutar pessoalmente contra os franceses.

-Antes que você pergunte, estão formando forças de resistência independentes em vários pontos do país para lutar contra a gente – informou José. – Quer que eu cuide disso?

-Não. Meu lema é: se quer uma boa guerra imperialista sangrenta, faça a guerra imperialista sangrenta você mesmo.

-Boa sorte.

Ele precisou, afinal.
...

Já em Portugal o clima estava tenso. Para Jean-Andoche Junot, a idéia de ter ouvido sua mãe e seguido a carreira de balé em vez da militar estava cada vez mais “ela estava certa” na sua cabeça. Arthur Wellesley estava empreitando uma avassaladora campanha anglo-portuguesa contra os franceses. A guerra estava irritantemente equilibrada.

Junot precisava urgentemente de uma aspirina. Havia gente correndo, havia gente matando, havia gente morrendo, por todos os lados. Tinha se preparado psicologicamente para isso: pensava em chegar, matar um ou dois velhos gordos e voltar pra casa, mas isso não estava acontecendo. Era frustrante. Por que os malditos velhos gordos não paravam de matar os seus soldados e voltavam pra casa comer bacalhau? Por que as malditas senhoras com seus chalés e coques na cabeça simplesmente não iam pra casa fazer crochê? A situação era sobrenatural.

Nas batalhas de Roliça e Vimeiro (respectivamente, 17 e 21 de Agosto de 1808), 2 mil franceses foram pro espaço. Na ocasião, o respeitoso General saiu dando demi-pliés e sissones en avant vestindo um tutu, calça de malha e sapatilhas de balé.

Na falta de um General à altura de Junot, Napoleão escolheu o que pensava ser um homem menos propenso a fugir da guerra vestindo tutus e calças de malha. Homem firme, homem forte, corajoso, fiel, feio, desonesto, completo imbecil, de cabeça chata e com Jean no meio do nome, como não poderia deixar de ser. Escolheu o Duque da Dalmácia, futuro Primeiro-Ministro da França, o marechal Nicolas Jean-de-Dieu Soult.

Com Marechal Soult, deu-se início à Segunda Invasão Francesa em Portugal, a fevereiro de 1809.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Coca ou Guaraná?

Está cientificamente provado pelos mais renomados Institutos de Pesquisa do mundo: Quando você está sozinho já é um completo idiota, quando está com um amigo vai de Bem Comportado à Ney Matogrosso em 5 segundos.


Neste sábado eu fui na festa de aniversário e aposentadoria do ex-diretor da minha escola. Talvez o primeiro diretor que a escola já teve e talvez o velho mais daora que eu já conheci na vida. Rafael ficou encarregado de fazer um vídeo em homenagem à ele com fotos de Mil-Novecentos-E-Não-Te-Interessa, que eu, como exímio editor de vídeos e penetra cara de pau, não ajudei a fazer. Por isso fui convidado pra festa também.


Aconteceu em um restaurante com a família, os amigos íntimos e ex-colegas de trabalho do diretor; família, amigos íntimos e colegas de trabalho da família (?), dos amigos íntimos e dos ex-colegas de trabalho do diretor. Além do penetra aqui e o Rafael. A homenagem ia rodar em um projetor e ficamos sentados atrás dele. Até aí tudo OK, esperamos convidados chegarem, convidados chegaram, garçons começaram a trabalhar e depois de um tempinho todos começaram a petiscar e jantar felizes e satisfeitos. 
Menos nós.


Volta e meia algum garçom vinha e oferecia refrigerante com a fatídica frase arranjada: "Coca ou Guaraná?". Depois de três ou quatro copos de coca ou guaraná, comecei a ficar inquieto, querendo esticar as canelas pelo restaurante e conversar com gente. Expressamente Rafael disse que não, que devíamos esperar pra rodar a homenagem - o que não impediu que eu fosse no banheiro incontáveis vezes antes da mesma.


20 Minutos depois do começo da festa, "Coca ou Guaraná" virou um dos bordões que usamos quase o tempo todo. Eu explico: na falta do consumo de bebidas alcoólicas, nos embriagamos com refrigerante. É aquela coisa toda, começa a rir de tudo, rir sem motivo, rir consigo mesmo, rir da cara do outro, rir da coca ou guaraná, rir quando dizemos isso, enfim, dar risada. A situação não podia ficar mais ridícula, mas pode apostar que ficou, afinal, amigos amigos, senso comum à parte.


Mais ou menos meia hora de festa e Seu Zé (ex-diretor e aniversariante) deu o ar de sua graça com direito a discurso e agradecimentos, depois vieram as homenagens dos entes queridos e o vídeo.


Enfim era hora de esticar as canelas, e fazendo isso, as pessoas começaram a sugerir que jantássemos. 

Rafael: Bruno, como é "jantar" em inglês?
Eu: "Dinner"
Rafael: NO DINNER, PLEASE!


Aí pronto, um segundo bordão, mais risadas, menos janta. Enfim, fomos convidados a sentar em uma mesa onde todo mundo estava com seu prato, jantando, e eu e Rafa, com nossos copos, bebendo. 


Naquela mesa também sugeriram que a gente jantasse, e a resposta foi: 
"Coca... ou Guaraná?"


Acabou por descobrirmos que tinha um self-service escondido com maestria bem debaixo dos nossos narizes. 




...

Fora isso, o ponto alto da festa foi a música e a dança. Sim, dança. Não tenho ideia de como dançar mais foi isso que eu fiz. Imagine só.


O DJ teve os dom de tocar músicas Disco. Sacomé, anos 70, aquele troço doido.


Tocaram os clássicos Macarena, That's The Way (I Like It) e I Will Survive. E todo mundo sabe que as músicas oficiais de se soltar a franga são Macarena, That's The Way (I Like It) e I Will Survive. Como um bom menininho da geração Ney Matogrosso, soltei a franga em todas elas com gosto e pagação de mico. Foi foda, rapaz.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Concorrência Local

 Obs.: A crônica a seguir é fictícia e escrita por mim 
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Meu bairro é o lugar mais propenso a entrar para o Guinness Book como “Maior concentração de bares e mercearias num raio de 2 quilômetros do mundo”. Não se contentando somente com um bar ou uma mercearia, os comerciantes têm a brilhante e original idéia de juntar as duas coisas, criando os originalíssimos “Bar e Mercearia”.

 Lugares medonhos esses. É onde se encontram juntos sinuca, pôsteres publicitários de marca de cerveja, alimentos industrializados, doces caseiros, e bêbados confabulando com a própria embriaguez.

 A cada esquina pode-se ver um bar, uma mercearia, ou um bar e mercearia. Chega a ser constrangedor. Os únicos que não acham isso constrangedor, mas motivo de contenda, são os comerciantes donos de bares. Seu Tijuca, Seu Alceu, Rivelino e Caneca são os donos de bar mais velhos do bairro e os que mais sofrem com a concorrência.

 “Esses mais novos que chegaram depois, não sabem como cuidar de um bar”, diz Seu Alceu, homem antigo e conservador, dono de um Bar de esquina da Rua Três com Avenida Sete.

 “Esses velhos caducos não sabem como conquistar a clientela”, diz Seu Tijuca, carioca e flamenguista dono de um Bar na outra ponta da Avenida Sete.

 “Esses velhos vivem copiando minhas promoções”, diz Rivelino, primeiro a fazer um letreiro “Bar e Mercearia” do bairro. Dono de um Bar e Mercearia na Rua Cinco.

 “Ô juizão, falta dentro da área é pênalti!”, diz Caneca, paulistano e vascaíno de meia-idade dono de uma pequena Mercearia na Rua Guerra e Paz.

 Desde sempre esses quatro senhores disputam a escassa quantidade de clientes do bairro. Quando um consegue um número considerado estratosférico em cima do outro, se gaba por um mês, sendo que esse número estratosférico, na maioria das vezes, não passa de 20 clientes por semana.

 Não que o bairro seja pequeno ou morem poucas pessoas nele. Na verdade é um bairro grande e populoso, constituído de um grande número de alcoólatras. O problema é a distância. Entre a porta da sala, a garagem e a rua existe uma distância muito pequena, de forma que os alcoólatras achem mais fácil pegar o carro e dirigir até o centro da cidade à comprar na Mercearia da esquina.

 A situação veio a ficar pior, quando os quatro senhores descobriram a construção de um Mini Mercado no bairro, filiado à uma rede de Mini Mercados com sede no centro da cidade, cujo slogan era “Quanto mais Mini, mais Mercado é”.

 Só o slogan já parecia uma ameaça aos negócios dos nossos velhos senhores, por isso cada um, como homens maduros e inteligentes que eram, teve sua própria reação madura e inteligente quanto à questão. Seu Alceu ficou mais mal-humorado, Caneca entrou em depressão, Seu Tijuca dava fortes indícios de ter contraído a síndrome do pânico, e Rivelino passou a tomar quantidades diárias indizíveis de café.

 Conforme o tempo ia passando, melhor o mercado ficava, e mais deprimente ficava a situação dos nossos velhos senhores. Quando finalmente chegou o dia da grande inauguração, com faixas de promoções e descontos inacreditáveis nas portas, paredes e letreiros do Mini Mercado, o resultado também foi inacreditável. Meia dúzia de pessoas compareceram à inauguração.

 O gerente reagiu: fez comerciais apelativos no canal local,espalhou folhetos e cartazes pelo bairro, contratou cantores para fazerem shows com entrada franca e, como última alternativa, gritou pelo megafone promoções do tipo “É só até amanhã!”, das quais o “amanhã” virou “É só até semana que vem!” , depois “mês que vem!”. Acabou por desistir enquanto ainda lhe restava dignidade. A filial do Mini Mercado foi fechada, e nossos velhos senhores ficaram estupefatos.

 “Mas como é possível!”, “Eu não creio!”, “Como assim?”, “O que eu perdi?”.

Ao final da tarde de uma sexta-feira, dois dias depois do fechamento do Mini Mercado, estavam reunidos Seu Tijuca, Rivelino e Caneca no bar do Seu Alceu, especulando qual seria a causa de tamanha frustração do negócio da filial, quando um homem de meia-idade e barriga de chope dentro de um carro parou em frente ao bar para cumprimentá-los.

 -Opa, e aí Seu Alceu, belezera?

 -Opa, tudo nos conformes. Onde é que vai hem?

 -Ah, eu vou ali naquele Mini Mercado do centro, tem cerveja na promoção lá.

 Há uma espécie de mitologia de consentimento geral, ao estilo “a grama do vizinho é sempre mais verde” de que quanto mais longe é o lugar que você vai, melhor será o fruto da peregrinação. Isso é bíblico.



Dez Coisas Que Levei Anos Para Aprender, por Luis Fernando Veríssimo


"Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic."



-Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ler Deveria ser Proibido, por Guiomar de Grammont

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 
  Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. 
  Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos. 
  Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável: liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-lo com cabriolas da imaginação. 
  Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais? 
  Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. 
  Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. 
  É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas. Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro. 
  Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade. O mundo já vai por um bom caminho. 
  Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas - e esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. 
  Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura? É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. 
  Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias e tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano."


-Guiomar de Grammont

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Skoob - Bistromatica's Bookcase

Hey guys, vim apresentar uma rede social muito pika das galáxias. Skoob, o Facebook dos livros.

Não tem muita coisa a se dizer sobre ela, é só se cadastrar e ver por conta própria.

Aqui está a estante de livros que pretendo ler este ano, feita no Skoob:
                        
Visitem o meu Perfil!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia da Toalha - Avante, Mochileiros!

Muita gente me perguntou hoje na escola por que diabos eu estava com uma toalha branca sobre os ombros. Eu meramente respondia "Hoje é Dia da Toalha :)".


Hoje, dia 25 de Maio, é o dia mais especial do ano, é o dia em que mochileiros e nerds por todo o mundo comemoram e mostram pra quem quiser ver que são nerds ou mochileiros e que se orgulham disso. Hoje é Dia da Toalha e Dia do Orgulho Nerd.


Aí me perguntam também, "Que merda é essa de Dia da Toalha?". Eu explico.


Existe uma série, mais especificamente um livro, chamado "O Guia do Mochileiro das Galáxias"; o mais vendido do que a Enciclopédia Galáctica e uma das mais cultuadas obras literárias de todo o Setor ZZ9 Plural Z Alpha.



Todo dia 25 de Maio, fãs da série e de seu autor, Douglas Adams, comemoram e homenageiam a Trilogia de Cinco, trazendo uma toalha consigo dos modos mais criativos possíveis. Por quê? A Toalha é um item essencial para todo mochileiro, suas utilidades superam a linha da improbabilidade infinita, se tornando um artigo de luxo e de sobrevivência a todo maluco que viaja pelo Universo apenas para sustentar verbetes de enciclopédia.


Veja algumas das utilidades da Toalha:

Fazer cosplay do Superman.

Usar como acessório fashion.

Tapar os olhos em momentos críticos para não se ver o que está fazendo, como por exemplo numa Prova de Matemática.


Fingir ser um fantasma para assustar seus amigos numa noite escura num beco escuro com uma pose horripilante.


Ser a Rainha do Nilo.

Lutar corpo a corpo na falta de uma Zapogun.


Limpar presentes de pombas que voam sobre a sua cabeça.


Sinalizar que você é um completo débil mental e que precisa de acompanhamento psiquiátrico.



O Dia também é considerado o "Dia do Orgulho Nerd", por ser a mesma data de lançamento do filme Star Wars (IV), fenômeno cultural entre todos os que se dizem nerds há 35 anos.


Até Mais, obrigado pelos peixes e Feliz Dia da Toalha!